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terça-feira, 6 de março de 2012

PT de São Miguel do Gostoso deve se aliar ao PMDB e apoiar Fátima Dantas; Paulo (DEM) pode ficar isolado

Por Emanuel Neri
Está praticamente definida a participação do PT de São Miguel do Gostoso na coligação da candidata Fátima Dantas (PMDB). Dirigentes dos dois partidos já se reuniram, inclusive com a participação de membros do PT estadual. Os petistas estão definindo os últimos detalhes para embarcarem na campanha de Fátima.
Se isso se confirmar, a candidatura de Paulo Roberto (DEM) sofre um grande revés e corre o risco de ficar isolada na disputa pela prefeitura local. Paulo Roberto contava com a esperança de ter o apoio do PT. Hildemar Peixoto, principal líder petista regional, foi vice de Paulo na campanha  derrotada de 2008.
Ocorre que, naquela época, Paulo concorria pelo PMDB, com quem o PT é aliado no governo federal. Como Paulo foi para o DEM, o PT se afastou dele. O PT nacional aprovou resolução em que o partido não pode se aliar, em qualquer eleição, com o DEM e o PSDB. Com isso, o DEM pode ficar a ver navios, totalmente isolado.
É que outro partido com quem o DEM pretende se aliar, o PSD, também é rompido com o DEM. E aí foi o próprio DEM quem decidiu não se aliar ao PSD, partido que nasceu de uma costela do próprio DEM, de quem tirou muitos deputados. Hoje os dois partidos são adversários em nível nacional e também no Rio Grande do Norte.
O presidente da Câmara Municipal de São Miguel do Gostoso, José Renato de Souza, é do PSD. Chegou-se a falar na possibilidade de Renato ser vice de Paulo. Com a briga entre DEM e PSD, isso dificilmente ocorrerá. Fala-se também de uma reaproximação de Renato com o prefeito Miguel Teixeira. Os dois estavam rompidos.
Miguel Teixeira, do PPS (na foto, de camisa escura, com seu grupo político), apóia Fátima Dantas, que é sua atual vice-prefeita. O vice de Fátima deve ser uma indicação sua. Na reunião com o PT, o nome de Hildemar chegou a ser cogitado para vice. Mas a escolha do vice ainda passará por outras discussões, nas quais Miguel Teixeira terá peso nesta decisão.
Com o apoio do PT, a candidatura de Fátima Dantas consolida-se no quadro eleitoral local, já que os petistas são a terceira força política de São Miguel do Gostoso. Fátima deve ter também o apoio de outros partidos menores, como PPS, PC do B e PSB. A eleição será em outubro. Mas, até lá, muita coisa ainda poderá acontecer.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

PT aguarda consolidação de chapas para se definir em Gostoso, mas descarta qualquer aliança com o DEM

Por Emanuel Neri
A política partidária em São Miguel do Gostoso é dividida em quatro grupos. O PMDB, que hoje é aliado do prefeito Miguel Teixeira, que é do PPS. O DEM, que já foi PMDB, que é o principal bloco de oposição ao prefeito. E o PT, que é a terceira força, mas que pode desequilibrar o jogo em favor de uma das duas outras frentes políticas.
Tem ainda uma quarto grupo que é o PSD, partido que nasceu de uma costela do DEM e que é liderado nacionalmente pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Em São Miguel do Gostoso, o PSD é aliado do DEM. Seu principal líder local é José Renato Souza, que preside a Câmara Municipal. Em nível nacional, PSD e DEM se odeiam e não querem ouvir falar de alianças.
A sucessão do prefeito Miguel Teixeira em São Miguel do Gostoso (na foto, Igreja de São Miguel, um dos símbolos da cidade) começa a ser esboçada. Sua vice, Fátima Dantas, deve ser candidata pelo PMDB, com provável apoio do prefeito. Paulo Roberto, que disputou e perdeu as duas últimas eleições, pretende sair pelo DEM. O PT está esperando o quadro se definir melhor para saber o que fazer.
É certo para o PT que ele não se aliará ao DEM. O PT nacional aprovou resolução que exclui qualquer tipo de aliança com o DEM e o PSDB. O PT de São Miguel do Gostoso foca no momento suas atenções na eleição para a Câmara Municipal, com mais de dez candidatos. A meta é eleger um ou dois vereadores.
A disputa da Prefeitura com candidato próprio do PT depende muito do rumo das alianças locais. Os petistas até admitem a possibilidade de se aliar ao PMDB em torno de Fátima Dantas. Mas temem algum tipo de entendimento entre a candidata do PMDB e Paulo Roberto (DEM), que se comenta na cidade.
Se houver esta aliança, o que no momento é difícil, o PT deve optar por candidatura própria. Aí o candidato deve ser Hildemar Peixoto, que lidera o partido no município. Hildemar foi candidato a vice em 2008 na chapa de Paulo Roberto, que na época era do PMDB. Mas, como Paulo agora está no DEM, o PT quer distância dele.
O DEM, junto com o PSDB, são os principais adversários do PT em nível nacional. Por isso o PT não quer saber de aliança com estes dois partidos. Antes de entrar no DEM, Paulo Roberto tentou entrar no PT de São Miguel do Gostoso. Foi rejeitado. O PT entende que Paulo Roberto não tem perfil para entrar no partido.
Na eleição de 2010, Paulo Roberto apoiou com entusiasmo José Serra (PSDB) para presidente, que foi derrotado por Dilma Rousseff (PT), e Rosalba Ciarlini (DEM) para governadora, que foi eleita. Isso afastou Paulo Roberto dos petistas locais. Quando Paulo Roberto procurou o PT para se filiar, encontrou as portas fechadas.
O PT também contabiliza contra Paulo Roberto sua aliança com o senador José Agripino (DEM-RN), inimigo maior dos governos Lula e Dilma. O PT tem crescido em São Miguel do Gostoso. Na última eleição, José Júlio, candidato preferencial do partido em São Miguel do Gostoso, teve 521 votos; Fátima Bezerra, para federal, teve 546 votos. Outros candidatos do partido também receberam votos. Na eleição de 2006, o PT teve menos da metade desses votos.
É por isso que o PT pode pesar na hora da definição das alianças para a disputa municipal. O PT aguarda a consolidação das candidaturas para se posicionar. Por enquanto, trabalha sua chapa para vereador. O partido tem forte penetração nos assentamentos agrários do município, com líderes jovens candidatos a vereador.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Governadora do RN e prefeita de Natal têm alta rejeição da população; Dilma tem ampla aceitação

Por Emanuel Neri
E as duas principais administradoras públicas do Rio Grande do Norte – a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) e a prefeita de Natal, Micarla de Souza (PV) – não estão nada bem junto à opinião pública. Pesquisa divulgada pelo jornal Tribuna do Norte comprovou o altíssimo nível de rejeição das duas.
A pesquisa, feita em Natal pelo Instituto Certrus, constatou que a rejeição da governadora Rosalba Ciarlini (foto) é de 58,57%, enquanto apenas 25,71% aprovam seu governo. No caso da prefeita Micarla, a situação é mais dramática, pois é rejeitada por 89% – apenas 8,5 dos natalenses aprovam seu governo.
O pior é que a rejeição de ambas administradoras vem aumentando, embora com índices pequenos. Em julho passado, o mesmo instituto de pesquisa constatou que o índice dos que desaprovam a governadora do DEM era de 55,6%. Já a prefeita Micarla era rejeitada por 88,6% dos natalenses.
Micarla faz um governo desastrado e já é a prefeita de Natal com a maior desaprovação de toda a história da administração da cidade. Se ela concorrer à reeleição este ano, corre o altíssimo risco de ser derrotada. A governadora potiguar deve ter cuidado para não ter o mesmo destino de Micarla.
Enquanto Rosalba e Micarla estão em péssima situação junto aos natalenses, a presidenta Dilma Rousseff (PT) tem índices altíssimos de aprovação. A mesma pesquisa do Certrus também quis saber da população de Natal sua opinião sobre o governo Dilma. Resultado: 72,57% a aprovam (em julho eram 61,4%).
Vejam, abaixo, links para a mais recente pesquisa do Certrus e outra pesquisa, da Sinduscon-Consult, que constataram o alto grau de rejeição da governadora  Rosalba Ciarilini e da prefeita Micarla de Souza:

http://tribunadonorte.com.br/noticia/rosalba-e-reprovada-por-58-por-cento-e-micarla-por-89-por-cento/209097


http://tribunadonorte.com.br/noticia/pesquisa-traz-avaliacoes-dos-governos/208541

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Livro sobre privatizações de estatais no governo FHC causa polêmica nos meios políticos e jornalísticos

Por Emanuel Neri
Há duas semanas, um livro vem causando grande alvoroço nos meios políticos e em parte da mídia no Brasil. Trata-se do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista mineiro Amaury Ribeiro Júnior, que aborda supostas irregularidades no processo de privatização de estatais no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1998. Desde que foi lançado, o livro (veja foto à esquerda) é o mais vendido em todas as livrarias do país.
Mas o livro vem sendo ignorado pela chamada grande imprensa. Poucos jornais e revistas importantes trataram do tema. Apenas a revista “Carta Capital”, além das Redes Record e Bandeirantes, deram maiores espaços para o livro e a denúncia feita pelo autor. Mas o livro, que já há dificuldades de se encontrar nas livrarias, caiu na boca das redes sociais. É um dos temas mais discutidos neste tipo de mídia. E também é motivo de uma possível CPI na Câmara dos Deputados.
O silêncio com que a grande imprensa brasileira recebeu o livro tem sido motivo de intensos debates no meio jornalístico brasileiro. A respeito deste tema, o experiente jornalista Ricardo Kotscho escreveu artigo em seu blog “Balaio do Kotscho”. Título do artigo: “O ano em que um livro desmascarou a imprensa”. Veja, a seguir, o que Kotscho escreveu:

 "Se a Gazeta Esportiva não deu, ninguém sabe o que aconteceu".
(Slogan de um antigo jornal de São Paulo, nos tempos pré-internet, que ainda inspira muitos jornalistas brasileiros).
***
Daqui a cem anos, quando os historiadores do futuro contarem a história da velha mídia brasileira, certamente vão reservar um capítulo especial para o que aconteceu em 2011.
Foi o ano em que um livro desmascarou o que ainda restava de importância e influência da chamada grande imprensa na formação da opinião pública brasileira.
O suicídio coletivo foi provocado pelo lançamento de um livro polêmico, A Privataria Tucana, do premiado repórter Amaury Ribeiro Júnior, com denúncias sobre o destino dado a bilhões de reais na época do processo de privatização promovido nos anos FHC.
Como envolve personagens do alto tucanato em nebulosas viagens de dinheiro pelo mundo, o livro foi primeiro ignorado pelos principais veículos do país, com exceção da revista "Carta Capital" e dos telejornais da Rede Record; nos dias seguintes, os poucos que se atreveram a tocar no assunto se limitaram a detonar o livro e o seu autor.
Sem entrar no mérito da obra, o fato é que, em poucos dias, A Privataria Tucana alcançou o topo dos livros mais vendidos do país e invadiu as redes sociais, tornando-se tema dominante nas rodas de conversa do Brasil que tem acesso à internet.
No final de semana, o fenômeno editorial apareceu nas listas de jornais e revistas, mas não mereceu qualquer resenha ou reportagem sobre o seu conteúdo.
Em 47 anos de trabalho nas principais redações da imprensa brasileira, com exceção da revista "Veja", nunca tinha visto nada igual, nem mesmo na época da ditadura militar, quando a gente não era proibido de escrever _ apenas, os censores não deixavam publicar.
Foi como se todos houvessem combinado que o livro simplesmente não existiria. Esqueceram-se que há alguns anos o mundo foi revolucionado por um negócio chamado internet, em que todos nos tornamos emissores e receptores de informações, tornando-se impossível esconder qualquer notícia.
O que mais me espantou foi o silêncio dos principais colunistas e blogueiros do país _ falo dos profissionais considerados sérios _, muitos deles meus amigos e mestres no ofício, que sempre preservaram sua independência, mesmo quando discordavam da posição editorial da empresa onde estão trabalhando.
Nenhum deles ousou escrever, nem bem nem mal, sobre A Privataria Tucana, com a honrosa exceção de José Simão, o mais sério de todos eles.
Alguns ainda tentaram dar alguma desculpa esfarrapada, como falta de tempo para ler e investigar os documentos publicados no livro, mas a grande maioria simplesmente saiu por aí assobiando e mudando de assunto.
O que aconteceu? Faz algum tempo, as entidades representativas da velha mídia criaram o Instituto Millenium, uma instituição voltada à defesa dos seus interesses e negócios, o que é muito justo.
Sob a bandeira da "defesa da liberdade de expressão", segundo eles sempre ameaçada por malfeitores do PT e de setores do governo federal, os barões da mídia promoveram vários saraus para denunciar os perigos que enfrentavam. O principal deles, claro, era "a volta da censura".
Pois a censura voltou a imperar escandalosamente na semana passada. Só que, desta vez, não promovida por orgãos do Estado, mas pelas próprias empresas jornalísticas abrigadas no Instituto Millenium. Os antigos donos do poder midiático decidiram apagar do mapa, não uma reportagem ou uma foto, mas um livro.
O episódio certamente será um divisor de águas no relacionamento entre a grande imprensa e seus clientes. Por mais que cada vez menos gente acreditasse nessa conversa, seus porta-vozes sempre insistiam em nos garantir que a mídia grande era independente, apartidária, isenta, preocupada apenas em contar o que está acontecendo e denunciar os malfeitos do governo, em defesa do interesse nacional e da felicidade de todos.
Agora, caiu definitivamente a máscara. Neste final de semana, ouvi de várias pessoas, em diferentes ambientes, que vão cancelar assinaturas de publicações em que não confiam mais.
Como jornalista ainda apaixonado pela profissão, fico triste com tudo isso, mas não posso brigar com os fatos. Foi vergonhoso ver o que aconteceu e não deu para esconder. Graças à internet, todo mundo ficou sabendo.
E agora? O que vão dizer aos seus ouvintes, leitores e telespectadores? Que tudo não passou de um engano, uma ilusão de ótica? Vão publicar um "erramos" coletivo ou vai ficar tudo por isso mesmo?

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Médicos informam que câncer de Lula regrediu 75%; possibilidade de cirurgia está totalmente afastada

Por Emanuel Neri
Está aí uma ótima notícia divulgada hoje (12/12) pela equipe médica que cuida do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. O tumor cancerígeno localizado na laringe de Lula foi reduzido em 75% de tamanho, depois do tratamento com quimioterapia a que o ex-presidente está sendo submetido. Com isso, fica totalmente descartada, segundo os médicos, a possibilidade de cirurgia para a retirada do tumor.
Lula recebeu esta boa notícia na manhã de hoje, ao chegar ao Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, para a terceira e última sessão de quimioterapia a que está sendo submetido para tratar do tumor. Os médicos ficaram muito otimistas com o resultado. O risco da cirurgia seria o de afetar as cordas vocais do ex-presidente, podendo criar sérias limitações em sua voz (na foto, Lula ao chegar na manhã de hoje ao hospital).
O câncer de Lula foi diagnosticado no último dia 29 de outubro, dois dias após o ex-presidente comemorar 66 anos de idade. Logo após a primeira sessão de quimioterapia, Lula se antecipou aos efeitos da medicação e raspou o cabelo e também a barba – uma de suas principais marcas desde os anos 70, quando iniciou suas atividades como sindicalista em São Bernardo do Campo (SP).
Segundo os médicos, Lula ficou muito feliz com o resultado dos exames que constataram a redução do tumor. A partir de janeiro, ele será submetido à segunda etapa do tratamento, que compreende a aplicação de radioterapia. Lula pernoita hoje no Hospital Sírio Libanês, para a aplicação da última sessão de quimioterapia. Trata-se apenas de uma medida preventiva para o caso de Lula sentir enjoos.
Com a recuperação de Lula, fica praticamente garantida sua participação no desfile da escola de Samba Gaviões da Fiel, cujo enredo conta a sua história, no Carnaval 2012. A Gaviões é escola do primeiro grupo do Carnaval paulistano, formada por parte da torcida do Corinthians, de quem Lula é  torcedor fanático. “Verás que um filho teu não foge à luta – Lula o retrato de uma Nação”, é o nome do enredo.
Veja, nos links abaixo, notícia do Portal UOL sobre a recuperação de Lula, bem como informações sobre o enredo (e o samba enredo) da Gaviões da Fiel, além de artigos anteriores deste blog sobre a doença do ex-presidente.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Aumenta prestígio de Lula em São Paulo e seu apoio pode ser decisivo para a escolha do próximo prefeito

Por Emanuel Neri
O noBalacobaco já havia tratado da eleição de São Paulo, no último mês de outubro. Na época (veja abaixo), dizia que a eleição para a Prefeitura de São Paulo, no próximo ano, vai ser uma das mais interessantes do Brasil, por vários motivos. Um deles é o fato de São Paulo ser administrado pela aliança PSDB/DEM (ex-PFL) há quase oito anos. O outro seria o peso do ex-presidente nesta disputa (na foto, dona Marisa com Lula, já careca, devido a tratamento contra câncer).
Pois neste domingo (11/12), o jornal Folha de S. Paulo publicou a mais recente pesquisa do Datafolha sobre esta disputa. Dois dados desta pesquisa impressionam. O primeiro deles é o peso de Lula na disputa – pelo menos 48% dos eleitores paulistanos dizem que podem votar no candidato indicado pelo ex-presidente. O outro dado é a altíssima rejeição, de 35%, do ex-governador José Serra (PSDB).
Lula já escolheu seu candidato e do PT para disputar a Prefeitura paulistana. Trata-se do atual ministro da Educação, Fernando Haddad. Pelo menos 63% do eleitorado ainda desconhecem o candidato. Mas tudo indica que, quando Lula “colar” em Haddad, ele passe a subir nas pesquisas – e aí o candidato deve ter muitas chances de se eleger prefeito de São Paulo. Foi assim que ocorreu com Dilma Roussef.
Antes da escolha de Dilma, a então ministra de Lula era totalmente desconhecida do eleitorado. A exemplo de Haddad, nunca tinha disputado eleição. Começou a campanha e Dilma, “colada” a Lula, subiu nas pesquisas. Ganhou a eleição, contra o mesmo José Serra, com mais de 12 milhões de votos de diferença.  A maioria dos analistas acredita que vai acontecer a mesma coisa com Fernando Haddad.
Desde que o Datafola começou, em 2003, a medir a influência de Lula junto ao eleitorado da capital paulista, seu peso nunca foi tão grande. São Paulo sempre foi considerado um reduto da oposição a Lula – os tucanos também governam o Estado há mais de 20 anos. Mas agora Lula está fortíssimo e pode decidir a eleição. Entre a última pesquisa (setembro) e agora, a influência de Lula subiu oito pontos.
O que impressiona na mesma pesquisa é a altíssima rejeição de Serra – mais de um terço do eleitorado já decidiu não votar nele de jeito nenhum. Serra sempre ganhou eleições na capital paulista, onde também foi prefeito, antes de ser governador. Na última eleição presidencial, ganhou de Dilma no primeiro e segundo turno. Mas desgastou-se politicamente a partir de 2010, enquanto Lula só faz aumentar seu prestígio.
Se Lula e o PT ganharem a eleição para a Prefeitura paulistana em 2012, abre-se uma chance enorme de disputar o governo do Estado, em 2014, com chance de vitória.
Veja, no links abaixo, o resultado da pesquisa Datafolha, bem como artigo do noBalacobaco, de outubro, já tratando deste tema.


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Em Natal, disputa por Prefeitura está indefinida; ex-prefeito Carlos Eduardo (PDT) lidera pesquisas

Por Emanuel Neri

Em Natal, a capital do Rio Grande do Norte, a campanha eleitoral para a eleição de 2012 continua “embolada”. Não se sabe ao certo quem serão os candidatos com chance de ocupar a vaga hoje ocupada por Micarla de Souza, que faz um governo tão desastrado que dificilmente será reeleita. Micarla tem míseros 2% das intenções de voto.
Vamos ao quadro que se apesenta hoje para a eleição de 2012. O candidato com maior destaque nas intenções de voto é o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT), com cerca de 40% de preferência, que foi um bom prefeito. Depois, aparece a ex-governadora Wilma Faria (PSB), com 20% de intenção de voto. A disputa provavelmente se dará entre estes dois nomes.
Abaixo deles, mas com uma grande diferença, vem o candidato do PT, Mineiro, que tem torno de 7%. Um pouco mais abaixo, vêm três pretendentes – Rogério Marinho (PSDB), Hermano Alves (PMDB) e Felipe Maia (DEM), todos em torno de 6%. Este bloco partidário quebra a cabeça para formar uma chapa comum, mas não está nada fácil.
O jogo pode ser desequilibrado em torno de Carlos Eduardo (foto acima) e Wilma Faria. E isso vai depender muito da movimentação de dois partidos – PT e PSD. Embora Mineiro queira ser candidato, muitos petistas defendem o entendimento em torno de Carlos Eduardo – uma parcela menor quer acordo com Wilma, se ela for mesmo candidata.
Mas não se pode desprezar a força do PSD, o novo partido que é liderado no Estado pelo vice-governador Robinson Faria, que acaba de romper, de forma ruidosa, com a governadora Rosalba Ciarlini (DEM). Faria pode se aliar a Carlos Eduardo ou Wilma. Este fator - junto com o fator PT -, podem desequilibrar o jogo em torno de um destes nomes.
O que espanta na eleição de Natal é a fragilidade de Micarla de Souza, que foi eleita em 2008 com o apoio de Agripino Maia (DEM) contra Fátima Bezerra (PT). Fez um péssimo governo – 2% de intenção de votos são um retrato mais que fiel deste desastre. Também é curioso a falta de um nome de peso do PMDB, DEM e PSDB para entrar nesta disputa.
  


domingo, 6 de novembro de 2011

O PMDB de São Miguel do Gostoso não questionou, mas o PT entrou na Justiça por vagas de vereadoras



Por Emanuel Neri

Notícia “quente” que acaba de ser apurada pelo noBalacobaco. Ao contrário do PMDB, que evitou entrar com recurso na Justiça Eleitoral para recuperar as vagas de três vereadores pemedebistas de São Miguel do Gostoso, que migraram para o DEM, o PT foi ao Judiciário para questionar esta adesão.
É que, na eleição municipal de 2008, o PMDB disputou em coligação com o PT. A primeira suplente desta coligação é Simone, mulher de Hildemar, o presidente do PT local. O problema é que o PT não pode reivindicar só uma vaga, mas sim todo o processo de troca do PMDB pelo DEM feito pelas três vereadoras.
Agora a decisão está com a Justiça Eleitoral. E isso faz parte de um processo demorado, que pode se estender pelo menos até a eleição municipal de outubro de 2012. Mas o questionamento do PT é um sinal claro de que o partido não se aliará a Paulo Roberto, candidato do DEM, na próxima eleição.
O DEM é um dos principais adversários do PT. Os petistas já decidiram no Diretório Nacional – principal fórum do partido – vetar qualquer tipo de coligação com partidos como o DEM e o PSDB. Isso significa que, mesmo que o PT local concorde com a coligação, o Diretório Nacional já decidiu que quer distância do DEM.
Mas agora, com esta decisão de questionar a adesão das três vereadoras que eram do PMDB, o PT de São Miguel do Gostoso (na foto acima, pórtico da entrada da cidade) também sinaliza que está se afastando de Paulo Roberto, seu antigo aliado. Sem o PT, Paulo Roberto e o DEM correm o risco de ficar isolados em 2012. Quem ficaria com Paulo Roberto, além do DEM?
Até o PSD parece que também estará fora da coligação de Paulo Roberto. É que o PSD nasceu exatamente em cima do desmanche do DEM – pelo menos 18 deputados federais trocaram o DEM pelo PSD, além de senadores, governador, deputados estaduais e prefeitos.
PSD e DEM são inimigos políticos. O DEM tentou inviabilizar até a última hora, na Justiça Eleitoral, a criação do PSD. Os principais líderes dos dois partidos estão rompidos politicamente. Se isso não bastasse, no Rio Grande do Norte o vice-governador, que é do PSD, rompeu com a governadora, que é do DEM. É mais um dado que impede o alinhamento dos dois partidos.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Em São Miguel do Gostoso, PMDB não reivindicará mais os cargos de vereadoras que foram para o DEM

Por Emanuel Neri

As três vereadoras de São Miguel do Gostoso que trocaram o PMDB pelo DEM já podem dormir tranquilas. Elas não correm mais o risco de perderem seus mandatos. Para que isso ocorresse, bastaria que o Diretório Municipal do PMDB reivindicasse seus cargos junto à Justiça Eleitoral.
Pela legislação eleitoral vigente, qualquer político com mandato que trocar de partido perde seu cargo. Isso já não ocorre, por exemplo, com os políticos que trocaram seus partidos pelo PSD. Como o PSD é um partido novo, esta troca pode ocorrer, sem nenhum risco.
No último dia 28/10, o PMDB local recebeu consulta do Ministério Público para saber se pretendia reivindicar os cargos das vereadoras que foram para o DEM. No dia 1º/11, a direção municipal do PMDB se reuniu e decidiu não reivindicar os cargos a que teria direito.
Se o PMDB reivindicasse os cargos, as três vereadoras seriam automaticamente substituídas por suplentes de vereadores, do partido ou da coligação peemedebista na eleição de 2008, que incluía o PT. Por trás desta decisão, pode estar uma tentativa de acordo entre PMDB e DEM para disputar a eleição com chapa única.
Se isso ocorrer – e tem muita gente que acredita nesta possibilidade -, a cabeça da chapa ficaria com Fátima Dantas (PMDB), enquanto a vice ficaria com Paulo Roberto, que trocou o PMDB pelo DEM. Em eleições anteriores, ele disputou pelo PMDB, que tinha bem mais estrutura no município. Agora, aliados de Paulo Roberto - inclusive a cúpula do DEM - temem mais uma derrota dele.
Paulo Roberto vem de duas derrotas seguidas – ambas para o atual prefeito, Miguel Teixeira (PPS), que teve o apoio do grupo de políticos que hoje está no PMDB - Fátima Dantas é sua atual vice. O DEM ensaia acordo com o PMDB em vários municípios potiguares. São Miguel do Gostoso seria um deles. Se sair este acordo, a chapa será praticamente imbatível.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ainda repercutem ofensas a Lula e campanha para ele se tratar no SUS. Tiro parece ter saído pela culatra

Por Emanuel Neri

Continua tendo grande repercussão na mídia brasileira – em especial nas redes sociais – a questão da saúde do ex-presidente Lula, em quem no último sábado foi diagnosticado um câncer de laringe. Parte dos jornalistas da grande imprensa – como Fernando Rodrigues, que escreveu “Exemplos de Lula”, hoje (2/11), na Folha de São Paulo – acha que Lula sai engrandecido diante deste fato.
O assunto também repercutiu no exterior. Mas TVs estrangeiras, como a CNN, de língua inglesa, foi criticada por internautas irados pelo tratamento e abordagem jornalística que o noticiário deu a Lula. No Brasil, o debate continua pegando fogo nas redes sociais. Internautas iniciaram forte campanha, nas redes sociais, para que Lula fizesse seu tratamento de saúde no SUS.
É como se Lula não tivesse direito de pagar um bom plano de saúde para cuidar de seu câncer em um hospital de primeira linha, como o Sírio Libanês, de São Paulo. Também houve ofensas pessoais e insinuações desumanas contra o ex-presidente. O Instituto Cidadania, dirigido pelo ex-presidente, criou e-mail especial para quem quiser enviar mensagem a Lula: saudelula@icidadania.org É só copiar e mandar a mensagem para o Lula.
Além de serem rechaçados por admiradores de Lula e pessoas que defendem respeito para alguém que esteja, como o ex-presidente, enfrentando momentos pessoais delicados, a proposta raivosa fez o tiro sair pela culatra.  Pegou mal até mesmo em setores críticos a Lula e ao PT da chamada grande imprensa. Na Internet -em blogs, Facebook e Twitter -, houve uma enxurrada de mensagens favoráveis a Lula.
Entre jornalistas da grande imprensa, vários têm se manifestado sobre  este episódio. Uns rechaçam, outros tentam apagar o incêndio provocado pelas reações de ódio contra Lula. É importante registrar que importantes líderes políticos do país, a exemplo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), também condenou, de forma categoria, as ofensas contra Lula.
Vejam, abaixo, artigo da jornalista Maria Inês Nassif tratando desta questão. Na sequência deste artigo, tem link para ler o artigo do jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo:

"DEBATE ABERTO

Guia de boas maneiras na política. E no jornalismo

A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso.

A cultura de tentar ganhar no grito tem prevalecido sobre a boa educação e o senso de humanidade na política brasileira. E o alvo preferencial do “vale-tudo” é, em disparada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por algo mais do que uma mera coincidência, nunca antes na história desse país um senador havia ameaçado bater no presidente da República, na tribuna do Legislativo. Nunca se tratou tão desrespeitosamente um chefe de governo. Nunca questionou-se tanto o merecimento de um presidente – e Lula, além de eleito duas vezes pelo voto direto e secreto, foi o único a terminar o mandato com popularidade maior do que quando o iniciou.

A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso. A campanha que se espalhou nas red es sociais pelos adversários políticos de Lula, para que ele se trate no Sistema Único de Saúde (SUS), é de um mau gosto atroz. A jornalista que o culpou, no ar, pelo câncer que o vitimou, atribuindo a doença a uma “vida desregrada”, perdeu uma grande chance de ficar calada.

Até na política as regras de boas maneiras devem prevalecer. Numa democracia, o opositor é chamado de adversário, não de inimigo (para quem não tem idade para se lembrar, na nossa ditadura militar os opositores eram “inimigos da pátria”). Essa forma de qualificar quem não pensa como você traz, implicitamente, a ideia de que a divergência e o embate político devem se limitar ao campo das ideias. Esta é a regra número um de etiqueta na política.

A segunda regra é o respeito. Uma autoridade, principalmente se se tornou autoridade pelo voto, não é simplesmente uma pessoa física. Ela é representante da maioria dos eleitores de um país, e se deve respeit o à maioria. Simples assim. Lula, mesmo sem mandato, também o merece. Desrespeitar um líder tão popular é zombar do discernimento dos cidadãos que o apoiam e o seguem. Discordar pode, sempre.

A terceira regra de boas maneiras é tratar um homem público como homem público. Ele não é seu amigo nem o cara com quem se bate boca na mesa de um bar. Essa regra vale em dobro para os jornalistas: as fontes não são amigas, nem inimigas. São pessoas que estão cumprindo a sua parte num processo histórico e devem ser julgadas como tal. Não se pode fazer a cobertura política, ou uma análise política, como se fosse por uma questão pessoal. Jornalismo não deve ser uma questão pessoal. Jornalistas têm inclusive o compromisso com o relato da história para as gerações futuras. Quando se faz jornalismo com o fígado, o relato da história fica prejudicado.

A quarta regra é a civilidade. As pessoas educadas não costumam atacar sequer um inimigo n uma situação tão delicada de saúde. Isso depõe contra quem ataca. E é uma péssima lição para a sociedade. Sentimentos de humanidade e solidariedade devem ser a argamassa da construção de uma sólida democracia. Os formadores de opinião tem a obrigação de disseminar esses valores.

A quinta regra é não se deixar contaminar por sentimentos menores que estão entranhados na sociedade, como o preconceito. O julgamento sobre Lula, tanto de seus opositores políticos como da imprensa tradicional, sempre foi eivado de preconceito. É inconcebível para esses setores que um operário, sem curso universitário e criado na miséria, tenha ascendido a uma posição até então apenas ocupada pelas elites. A reação de alguns jornalistas brasileiros que cobriram, no dia 27 de setembro, a solenidade em que Lula recebeu o título “honoris causa” pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, é uma prova tão evidente disso que se torna desnecessário outro exemplo.

No caso do jornalismo, existe uma sexta regra, que é a elegância. Faltou elegância para alguns dos meus colegas".

A seguir, link do artigo do jornalista Fernando Rodrigues:


terça-feira, 1 de novembro de 2011

Ofensas contra Lula e campanha para que ele faça tratamento no SUS são vistas como preconceituosas

Por Emanuel Neri

De repente, uma campanha nas redes sociais pede para que o ex-presidente Lula procure o SUS (Serviço Único de Saúde) para tratar do câncer diagnosticado na sua laringe. Lula tem plano de saúde há vários anos, tem dinheiro para pagar um tratamento hospitalar e, mesmo assim, internautas –identificados com setores raivosos da oposição ao ex-governo e o da presidenta Dilma – pedem para ele ser tratado no SUS.
A campanha do SUS é até branda diante das grosserias e insinuações desumanas feitas ao ex-presidente. Muitos analistas têm criticado esta campanha. O jornal Folha de S. Paulo suspendeu a participação de comentários feitos por “anônimos” em seu serviço online (Folha Online) para evitar ataques a Lula. Para estudiosos do tema da intolerância, esta campanha é puro preconceito de pessoas que não aceitam a ascensão social de Lula.
Veja o que diz, abaixo, pesquisadora da Universidade de São Paulo, em entrevista ao Portal Terra:
Do Terra Magazine
Dayanne Sousa
“A notícia de que o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva passará por um tratamento contra câncer na laringe no hospital Sírio Libanês foi recebida com protestos em redes sociais. Na internet, um grupo pede que o petista utilize hospitais públicos e o Sistema Único de Saúde (SUS). Para a pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo) Sandra Regina Nunes, "as críticas se apoiam no fato de Lula ter sido analfabeto e se tornado presidente, de ele ter ascendido".
- Por que não se faz uma manifestação para que todo mundo use o SUS? A questão é menos de fidelidade com os ideais políticos e mais um preconceito. É como se questionassem: "Por que Lula tem que se tratar no Sírio Libanês? O lugar de onde ele veio não permite que isso aconteça" - questiona Sandra, membro do Laboratório de Estudos da Intolerância e professora de comunicação da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado).
Uma campanha no Facebook pedindo que Lula se trate no SUS já ganhou mais de 800 adeptos. Os internautas também se organizam para divulgar as críticas em sites de notícias. A rede de TV internacional CNN, por exemplo, publicou a informação sobre a doença do ex-presidente e recebeu uma série de comentários irônicos de brasileiros sobre o sistema de saúde nacional.
Leia a entrevista.
Terra Magazine - O anúncio de que o ex-presidente Lula sofre de câncer foi seguido por manifestações críticas e um protesto para que ele se trate no SUS. Por que esse tipo de expressão acontece e se espalha na internet?
Sandra Regina Nunes - O que me parece é que tem algo bastante próprio daqui do Brasil. As críticas se apoiam no fato de Lula ter sido analfabeto e se tornado presidente, de ele ter ascendido. Isso é visto quase como uma afronta. Faz com que as pessoas acreditem que necessariamente ele deveria ser fiel àquilo que ele pregava. Por muitas vezes ouvi pessoas dizendo "Ah, ele era trabalhador, não podia estar usando Armani". Agora dizem que o Lula tem que usar o SUS. Não me parece que aconteceu isso quando alguém do PSDB tem algum tipo de problema de saúde. Por que não se faz uma manifestação para que todo mundo use o SUS? A questão é menos de fidelidade com os ideais políticos e mais um preconceito. É como se questionassem: "Por que Lula tem que se tratar no Sírio Libanês? O lugar de onde ele veio não permite que isso aconteça".
É curioso porque em geral anúncios como o do ex-presidente - de uma doença - geram apenas comoção...
Eu acho que as pessoas não estão tratando como doença. A ideia é mais questionar o motivo de Lula estar usando um produto de luxo.
As redes sociais ampliam esse tipo de reação negativa?
As redes sociais fizeram com que as pessoas tivessem maior liberdade de expressão. Eu acredito que as pessoas poderiam usar isso de forma mais interessante. Existem na rede movimentos bastante positivos, por exemplo, em apoio à saúde da mulher. Então, utilizar as redes sociais para dar vazão à indignação pode ser ruim, mas tem lados positivos. As redes sociais têm essa dimensão que é muito boa. É a possibilidade de expressão.
Seria papel da imprensa desestimular?
Eu acho que o gesto de expressão não deve se impedir jamais. É preciso dar voz a todo mundo. Mas o papel da imprensa deve ser pontuar o que determinadas falas representam. Ou seja, dizer que tipo de movimento é esse e o que é que ele traz.”
No link abaixo, veja vídeo, com gravação de Lula, agradecendo a milhares de mensagens de apoio que tem recebido de todo o Brasil:


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Instituto Cidadania, dirigido por Lula, cria e-mail especial para mensagens; "Força Lula" lidera Twitter

Por Emanuel Neri

Desde quando descobriu que estava com câncer na laringe, no último sábado, o ex-presidente Lula não para de receber mensagens de amigos e admiradores desejando a sua rápida recuperação. Foram tantas as mensagens que o Instituto Cidadania, dirigido por Lula desde o fim do seu governo, criou um e-mail especial para receber estas mensagens.
Agora, quem quiser enviar mensagens para Lula pode enviar pelo e-mail saudelula@icidadania.org Se você quiser fazer parte desta corrente de fé, esperança e emoção de milhares de brasileiros, é só copiar o e-mail acima e enviar sua mensagem. Para quem quer conhecer melhor o Instituto Cidadania, acesse o site da entidade: www.icidadania.org
A mensagem “Força, Lula” – a mesma que estava na faixa levada pelos jogadores do Corinthians, em jogo no último domingo, em São Paulo – foi reproduzida por milhares de pessoas no Twitter, uma das maiores redes sociais da Internet. Ontem Lula recebeu a visita da presidenta Dilma Roussef e do ministro Guido Mantega (Fazenda). Os médicos estão otimistas e acreditam na recuperação do ex-presidente.
Na saída do hospital, Dilma disse que Lula estava muito bem-humorado e que, mesmo falando baixinho, sob recomendação médica, quis saber da reunião do G20, que Dilma participará esta semana, na França. O G20 é formado pelas 20 maiores economias do mundo. Lula iniciou hoje sessões de quimioterapia para superar o câncer (na foto acima, chega ao hospital para iniciar tratamento).
Veja, abaixo, links com informações sobre a saúde do Lula e informações sobre a grande repercussão nas redes sociais.  


domingo, 30 de outubro de 2011

Câncer é diagnosticado em Lula. Mas a "torcida brasileira" torce por sua recuperação,bem rápida

Por Emanuel Neri

Foi, sem dúvida, uma notícia que assustou o país. No início da tarde do último sábado (29/10), o Brasil inteiro ficou sabendo que um câncer de laringe havia sido diagnosticado no ex-presidente Lula. O ex-presidente sentia rouquidão e dores na garganta – foi fazer exames e a doença foi diagnosticada. Iniciará sessões de quimioterapia nesta segunda-feira (na foto, Lula com Dilma, esta semana, em Manaus-AM).
De sábado para hoje, domingo, o câncer de Lula foi, disparado, o assunto mais comentado na imprensa e na Internet. Pelo bem e pelo mal. Alguns internautas, se escondendo de forma covarde por trás do “anonimato”, postaram inúmeras grosserias e declarações desumanas contra Lula. Também houve uma enxurrada de mensagens positivas e homenagens, de pessoas que gostam e admiram o ex-presidente e torcem por sua recuperação. Lula é admirado tanto no Brasil como no exterior.
Uma das recomendações médicas é para Lula falar o menos possível, pelo menos enquanto não terminar o tratamento. Imaginem a dificuldade de um líder político da altura do Lula ter de enfrentar este tipo de restrição. Neste domingo à tarde, Lula assistiu, pela TV, a grande vitória do Corinthians sobre o Avaí, de “virada”, com o Timão passando a liderar o Brasileirão.
Juca Kfouri, um dos principais jornalistas esportivos do país, disse duvidar, se Lula, corinthiano fanático, não gritou e pulou na hora do gol que deu a vitória ao Corinthians. Os jogadores corinthianos entraram no estádio com uma faixa em homenagem a Lula. Nas arquibancadas, a Gaviões da Fiel, maior torcida corinthiana, abriu faixa com uma enorme foto de Lula. O estádio, que estava lotado, aplaudiu.
Lula é tão amado no Crinthians a ponto de sua história sevir, no próximo carnaval, de tema para o enredo da Escola de Samba Gaviões da Fiel, formada por torcida do próprio time, e uma das principais escolas de samba do carnaval paulistno. Lula tinha confirmado que participaria deste desfile.
Lula pediu aos médicos total transparencia nas informações sobre sua doença.
Vamos aguardar, junto com "toda a torcida brasileira" - como disse a  presidenta Dilma em nota oficial -  que Lula se recupere rapidamente e volte a ser o maior e mais querido líder político, nos dias de hoje, no Brasil. Vejam, nos links abaixo, repercussões sobre a doença do Lula, bem como reações, como a do jornalista Xico Sá, às grosserias contra o ex-presidente de "anônimos", na Internet.

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/como-seria-um-brasil-sem-lula#more

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/selvageria-contra-lula-foi-ensinada-pela-imprensa#more


terça-feira, 25 de outubro de 2011

Breve relato sobre a ditadura militar no Brasil e o apoio que teve do DEM (ex-PFL, PDS e Arena)

Por Emanuel Neri

Existem determinados acontecimentos –emocionais, políticos, históricos ou de outra natureza - que nos trazem recordações negativas. Eu tenho vários. Não se trata de ter ódio ou rancor destes acontecimentos. Mas tenho muita raiva –é um sentimento mais brando, mas é forte. E isso a memória não pode, e eu não quero, que apague.
E um dos acontecimentos que mais me marcaram, pelo menos do ponto de vista político e histórico, foi a ditadura militar que o Brasil viveu durante 21 anos (1964-1985). Muita gente hoje, principalmente os mais jovens, não tem memória do que foi este período no Brasil. Prisões, exílio, torturas, mortes – uma geração inteira de brasileiros, como a minha, viveu estes tristes momento do nosso país.
E por não gostar da ditadura militar eu também tenho sérias restrições a tudo o que esteve ligado - e de alguma forma ainda está – a este período vivido pelo país. Não tive militância política, nunca fui preso pelos militares, mas tenho muita consciência do que o Brasil viveu naquele período. E tenho, sobretudo, memória - como cidadão, no início, e como jornalista, depois, já atuando na imprensa.
Pois então é por isso que eu também questiono a história do DEM - este partido que, com o nome de Arena, foi o braço político da ditadura militar. O DEM tentou mudar sua imagem em vários momentos dos pós-ditadura. Mas não mudou sua ideologia. Depois da Arena, virou PDS, depois PFL e agora é DEM. É importante que se lembre a história do DEM, como a do PP, que também tem um pé fincado na ditadura.
A maioria dos partidos brasileiros, de uma forma ou de outra, combateu a ditadura. O PMDB, ex-MDB, foi resistente à tirania dos militares. O PSDB nasceu de uma dissidência do PMDB, que esteve na mesma trincheira. O PT sempre teve uma história ligada à contestação da ditadura, antes no movimento sindical, com Lula, depois como partido. O mesmo aconteceu com o PDT, PC do B, PPS e outros.
Mas o DEM tentou mudar de roupa, trocando constantemente de nomes, mas sua alma permaneceu a mesma. O DEM –ou o PFL, ou PDS ou Arena – jamais fez nenhuma revisão, ou autocrítica, do que foi seu tenebroso  papel na ditadura militar. Até a Alemanha fez autocrítica sobre seu período nazista. O DEM e seus seguidores jamais fizeram isso.
O DEM não consegue esquecer – ou, então, faz questão de manter – sua máscara autoritária. Vocês devem estar lembrados do vexame que o senador José Agripino Maia (DEM-RN), hoje presidente do partido, passou ao tentar inquirir a hoje presidenta Dilma Roussef, durante depoimento em 1998, no Senado. Dilma era ministra do governo Lula.
O Brasil inteiro sabe que Dilma foi presa e barbaramente torturada, quando tinha 19 anos, durante a ditadura -um tema que é extremamente delicado para ela. Pois José Agripino tentou questionar sua honestidade, ao dizer que ela “mentia” em seus interrogatórios nos porões da ditadura.  Todo o Senado ficou estarrecido, mas Dilma não perdeu a calma. Disse que tinha orgulho de sua biografia de militância política e que, se mentiu sob tortura, foi para salvar vidas de amigos.
O também ex-presidente do DEM, Jorge Bornhausen  (SC), num comentário visto como racista, prometeu, em 2006, acabar “com a raça" do PT. O DEM é assim. Vive trocando de nome, para mudar a imagem. Mas sua alma e dos seus seguidores continua igualzinha à de antes. Talvez seja este um dos motivos pelos quais o DEM está acabando.
Para mais informações sobre este debate entre Agripino e Dilma, bem como sobre a declaração de Bornhausen, ver links abaixo:

sábado, 22 de outubro de 2011

Veja as reações de Obama e Dilma às comemorações pela morte de Gaddafi. Isso faz muita diferença

Por Emanuel Neri

A morte do ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, na última quinta (20/11), mostra a forma diferente como líderes mundiais encaram as conseqüências da morte de alguém, mesmo que se trate de um tirano. Há suspeitas de que Gaddafi, depois de ter sido ferido e preso em combate, foi sumariamente executado, junto com um dos seus filhos.
A morte de Gaddafi foi recebida com euforia na Líbia e em outras partes do mundo. Mas a própria Organização das Nações Unidas (ONU) já está questionando a forma como ele foi morto. Vídeos mostram Gaddaffi inicialmente preso e ferido; na sequência, ele aparece morto. Sua morte fere normas do direito internacional e, em especial, dos direitos humanos.
Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, e Dilma Roussef, presidenta do Brasil, reagiram de forma diferente às comemorações pela morte do ditador. Obama celebrou a suposta execução. Seu discurso lembrou a oratória sanguinária de seu antecessor, George Bush. Falou de “punhos de aço” e de “libertação da tirania”.
Muito mais cautelosa, Dilma afirmou que “não se pode comemorar a morte de qualquer líder”. São duas visões distintas de ver o mundo. Gaddafi era um tirano, todo mundo sabe. O noBalacobaco (http://nobalacobaco.blogspot.com/2011/08/gaddafi-e-mais-um-ditador-que-e.html ) já havia tratado deste tema aqui.
Mas o princípio básico do direito é de que ele deveria ser preso para, em seguida, ser julgado e condenado por tribunais internacionais. Poderia até ter morrido em combate, o que as versões sobre sua morte parecem desmentir. Direitos humanos cabem para qualquer pessoa – até mesmo para os mais cruéis déspotas, como foi Gaddafi.
Está aí a diferença na avaliação de sua morte feita por Obama e Dilma. Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos com uma carga enorme de esperanças dos americanos e de cidadãos em todo o mundo. Negro, fez sua campanha baseada em contestação a iniciativas truculentas dos conservadores (Partido Republicano) que o antecederam. Mas mudou muito de lá para cá.
Aos poucos, Obama vai assumindo um discurso conservador, muito distante daquele usado por ele na campanha –“yes, we can” (sim, nós podemos)- para se eleger, três  anos atrás. Obama incorporou o pensamento do chamado “Establishment”, a ordem ideológica, econômica e política que constitui a sociedade americana. Cedeu à conservadora elite social, que sempre o desprezou.