Por
Emanuel Neri
E a
energia eólica, que está impulsionando a economia do
Nordeste, em especial a do Rio Grande do Norte, maior produtor do Brasil, não
para de crescer. A cada mês, é um recorde atrás do outro na produção desta
energia renovável. A eólica já representa mais de 9% da matriz elétrica do
país.
A produção
de energia eólica já ocupa a segunda colocação no ranking
da matriz elétrica do país. No mês passado, por exemplo, o poder dos ventos ultrapassou
em capacidade instalada a hidrelétrica de Itaipu, que é a maior produtora de
energia hidroelétrica do Brasil e a segunda do mundo.
Segundo
o jornalista André Trigueiro, especializado em meio
ambiente e energias renováveis, os 7 mil aerogeradores de 601 parques eólicos do
Brasil produziram, no mês passado, 15 Gigawats (GW), superando os 14 GW de
Itaipu. Maior que Itapu só existe a hidrelétrica de Três Gargantas, na China, com produção de 18 GW.
Vejam
a força da produção da energia eólica. Os 15 GW de energia
são suficientes para abastecer 25,5 milhões de residências ou 80 milhões de
pessoas. Para 2023, a previsão é de 19,7 GW de capacidade instalada, superando
até mesmo a gigantesca hidrelétrica de Três Gargantas, na China (18 GW).
O
Nordeste tem um peso significativo na produção de energia
eólica. Os três maiores produtores brasileiros são do Nordeste – Rio Grande do
Norte (4 GW), Bahia (3,9 GW) e Ceará (2 GW). Em seguida vem o Rio Grande do Sul
(1,8 GW). Os três produtores seguintes são nordestinos: Piaui, Pernambuco e
Maranhão.
São
Miguel do Gostoso não fica atrás desta corrida pela energia
eólica (veja foto acima). Inúmeros parques já estão instalados no município, de empresas como
Serveng, Voltália, Copel e CPFL. E estão chegando mais, como um da Serveng, que
está em processo de instalação. Outros parques também serão instalados.
A
energia eólica produzia no Nordeste, responsável por 86% de toda
a produção eólica do país, já é suficiente para abastecer, sozinha, toda a
região, com 9 GW de energia. O Rio Grande do Norte, por ser maior produtor e
ter população menor, produz quatro vezes a demanda energética do Estado.
Para
os principais especialistas em energia eólica, os
ventos do Nordeste são considerados os “melhores do mundo”. A energia eólica é considerada uma “energia
limpa”, que interfere mas não polui a natureza. A energia hidrelétrica também é
“limpa”, mas destrói a natureza para ser implantada.
A previsão
é de que, nos próximos anos, o Brasil posa dobrar
sua capacidade de produção eólica. É que há projetos para instalar parques
eólicos no mar, os chamados “offsohre”, onde a capacidade de produção de energia
é muito superior ao da terra firme. Muitos países do mundo já fazem isso.
Importante
lembrar que São Miguel do Gostoso é pioneiro na
regulamentação de espaços para implantação de parques eólicos. Legislação municipal
obriga os parques a se instalarem a, no mínimo, 2km de distância das praias. Fruto
de mobilização da população que levou a Câmara Municipal a estabelecer este
limite.
Em
outros municípios litorâneos do Nordeste, os parques são
instalados sem limite territorial, alguns quase na beira da praia. Aqui
próximo, em Galinhos, os aerogeradores foram instalados sobre as dunas, maior
patrimônio natural daquela praia. A população protestou, mas os parques
continuaram nas dunas.



