Por
Emanuel Neri
Na
última eleição presidencial, Jair
Bolsonaro perdeu, por grande maioria de votos, em todos os 9 Estados dos
Nordeste. Ganhou bem nas demais regiões do país, em especial no Sul e Sudeste,
e por isso se elegeu presidente da República.
Desde
a eleição, Bolsonaro (foto) tem
manifestado grande desprezo pelo Nordeste. Mais que isso, tem sido preconceituoso
com os nordestinos, principalmente com os governadores da região. Há menos de
um mês, chamou os governadores de “paraiba”, e ameaçou não liberar recursos
para alguns deles.
“Paraíba”
é uma forma pejorativa e
preconceituosa como parte da população do Rio se refere aos nordestinos. Em São
Paulo, também de forma pejorativa e preconceituosa, o povo do Nordeste é
chamado de “baiano”. Mas as manifestações de preconceito contra os nordestinos
não param por aí.
A imprensa
divulgou recentemente que
R$ 4 bilhões foram liberados, de janeiro a julho deste ano, pela Caixa
Econômica Federal, um banco público, para governos estaduais e prefeituras do
país. Deste total, apenas R$ 98 milhões foram destinados ao Nordeste, o que representa
só 2,2% do total.
Desprezar
o Nordeste apenas por ter
perdido a eleição na região, ou porque os governadores locais são de partidos
de oposição, é pura discriminação. As leis brasileiras, incluindo a
Constituição, condenam este tipo de política restritiva a determinados Estados.
Afinal, o Brasil é ou não uma democracia?
Independentemente
disso, Bolsonaro não para
de fazer ameaças ao Nordeste.
Nesta
segunda-feira (5/8), Bolsonaro bateu
duramente nos governadores nordestinos. Para ele, os governadores querem
transformar a região numa nova Cuba. E ataco, sem provas: “Tenho preconceito com
governador ladrão”. E condicionou o apoio a governadores só se “estiverem
trabalhando” com ele.
Consórcio
do Nordeste
É
para diminuir restrições e preconceitos
administrativos como estes que os 9 governadores do Nordeste acabaram de criar
o Consórcio do Nordeste. São vários os objetivos desta iniciativa. Uma delas é
atrair investimentos da iniciativa privada internacional, bem como de países,
para toda a região.
O
Consórcio Nordeste já tem agendado
duas reuniões de governadores, uma em Teresina e outra em Natal, com países
estrangeiros, para tratar de investimentos. Estão sendo feitos contatos com
França, Rússia, China, Espanha e Alemanha. Infraestrutura, saúde e segurança serão
discutidos.
Outro
objetivo do Consórcio
Nordeste é a realização de compras conjuntas, pelos 9 Estados da região, com a
finalidade de baratear custos na aquisição de bens e serviços. O consórcio também quer fazer algum tipo de
acordo para reativar na região o programa Mais Médicos, cancelado por Bolsonaro
no país.
O
Consórcio Nordeste será
administrado inicialmente pelo governador Rui Costa (PT), da Bahia. Mas acordos
e negociações do grupo estão condicionados ao apoio de todos os governadores. Com
55 milhões de habitantes, o Nordeste é a segunda maior região do país, perdendo
apenas para o Sudeste.
É
claro que os governadores do Nordeste tem
todo o direito de se organizarem politicamente para evitar que a região sofra
com os preconceitos e restrições econômicas do atual governo.
Da
mesma forma, é lamentável e profundamente
condenável que o presidente Jair Bolsonaro, com seu estilo autoritário e antidemocrático,
ameace e bloqueie investimentos para o Nordeste.
Abaixo, reportagens que tratam de preconceitos e
restrições do presidente Jair Bolsonaro com o Nordeste.


