Por Emanuel Neri
Vez por outra aparecem reportagens na imprensa que estimulam o pensamento e a reflexão sobre temas diversos. A entrevista que o ator e diretor José Celso Martinez Corrêa deu para a última edição da revista Trip faz parte deste tipo de leitura que é quase obrigatório para quem quer ver o mundo de uma forma mais ousada – livre e libertária.
Aliás, não é só a entrevista de Zé Celso, como é mais conhecido este que é um dos maiores nomes do teatro brasileiro (veja fotos de Zé Celso, em cena) que vale a pena ser lida. A edição inteira da revista está interessante. Trata da diversidade sexual, com reportagens sobre a questão da intolerância sexual, da homofobia, surfistas gays – enfim, uma edição inteira para abrir cabeças, fazer pensar e abandonar preconceitos.
Mas a entrevista –“Homem Sexual”, que é o título - com Zé Celso, feita pelo jornalista Otávio Dias, é sensacional. Como de costume, Zé Celso abre o bico e fala de tudo que dá na telha dele: família, religião, maconha, homossexualidade, diversidade sexual, homofobia, cultura, política. Vale à pena ler esta edição da Trip e a entrevista com Zé Celso.
É de arrepiar o trecho em que Zé Celso fala do assassinato, em 1987, de seu irmão, Luiz Antonio, também ator e diretor de teatro, num crime homofóbico. “Meu irmão foi assassinado com 107 facadas. Sete facadas matam um homem, para que outras cem?”, pergunta. “O que o cara quer matar ao apunhalar um cadáver sem parar? Uma coisa que não consegue matar nele mesmo”.
O trecho em que ele fala do ex-presidente Lula também é muito interessante. “Lula foi um presidente antropófago. Ele fez um governo cheio de rebolado, de Carmen Miranda. De pega prá cá, joga prá lá. Ele sambou no poder e foi comendo tudo o que podia. Fez um governo incompreensível do ponto de vista marxista”, diz Zé Celso.
“Só quando ele (Lula) abandonou a ideologia e foi para o pragmatismo, que é a essência da antropofagia – é o que é e, dentro do que é, o que eu posso fazer? – quando ele superou a máscara de operário, de líder sindical, quando se descobriu pernambucano, quando chegou até a mãe dele de volta, aí ele teve uma humanização progressiva. E descobriu a si mesmo”, afirma Zé Celso.
Ainda sobe Lula, na visão de Zé Celso: “Antes ele tinha muita influência da Igreja. O Lula fez um governo laico maravilhoso nesse sentido. Com nenhuma religião, com nenhuma ideologia, com nada. E teve um Ministério da Cultura luxuoso”. Para Ze Celso, o ex-ministro Gilberto Gil trouxe a "tropicália e a antropofagia" para o Ministério da Cultura.
Leia mais sobre a edição da Trip e a entrevista de Zé Celso no site da revista, link abaixo:
Leia também sobre o teatro de Zé Celso, já tratado aqui em noBalacobaco:

