Por
Emanuel Neri
No
período mais crítico da crise do HIV/Aids,
entre os anos 80 e 90, um colunista da Folha de S. Paulo,
Sebastião Nery, fez uma dura observação sobre aquela doença que começava a assustar
o mundo.
“Além
de matar, a Aids também difama”, escreveu o jornalista em um de seus artigos para aquele jornal paulista.
Agora,
mais de 30 anos depois, aquela triste
avaliação parece se repetir com a pandemia do Coronavirus (Covid-19). Talvez
a crise sanitária atual não chegue a difamar suas vítimas, mas faz cair sobre
elas uma enorme carga de preconceitos.(foto). Todos nós precisamos combater esta outra doença que envolve o Covid, que é o preconceito.
As
vítimas do Covid-19 precisam de preocupação
e cuidados médicos, não de preconceitos. Embora haja exceções, pessoas cujo
teste desta doença resulta positivo se submete, obrigatoriamente, ao confinamento
e ao isolamento de outros parentes e amigos. Mas muitas sofrem preconceitos da
sociedade.
O
combate ao preconceito é uma das
preocupações de profissionais de saúde, no Brasil e no mundo, que estão na linha de frente do combate a esta
terrivel pandemia.
Aqui
mesmo, em São Miguel
do Gostoso, onde felizmente as barreiras e cuidados sanitários tem impedido uma
maior propagação da doença, vez por outra se vê autoridades de saúde fazendo
comentários preconceituosos. A preocupação
maior parece ser manter o mapa epidemiológico local inalterado.
Na
semana passada, houve polêmica envolvendo
uma pessoa contaminada que mora em Monte Alegre, praticamente colada a São
Miguel do Gostoso, mas que pertence ao município de Touros. Importante dizer
que pessoas contaminadas não são números, mas sim vitimas que precisam de
cuidados médicos.
Qualquer
pessoa, no Brasil ou
no mundo, pode se contaminar com o Covid-19. As previsões de autoridades da
saúde são de que, se não for descoberta rapidamente uma vacina, quase dois
terços da população mundial possam ter contatos com o vírus. Alguns superam o vírus
com facilidade. Outros morrem.
“É claro
que não podemos ignorar nem
discriminar as pessoas que vierem a ter Covid-19 ou alguma suspeita desta
doença. Mas sim apoia-las e orientá-las no sentido de como proceder e de como
deve fazer para superar este problema”, diz Teresa Neri, enfermeira e ex-secretária
de Saúde de São Miguel do Gostoso.
São Miguel do Gostoso tem apenas um caso de Covid-19. É um dos municípios da chamada região do Mato Grande com menor número, junto com São Bento do Norte. Touros, por exemplo, tem 39 confirmados, enquanto João Câmara tem 10, Rio do Fogo tem 9, Pedra Grande tem 7 e Caiçara do Norte tem 5. Ceará Mirim, com 64 casos, é o maior número da região. Estes dados, do Boletim Epidemiológico do RN, foram repassados ao noBalacobaco pelo blog O Contador de Causos.
São Miguel do Gostoso tem apenas um caso de Covid-19. É um dos municípios da chamada região do Mato Grande com menor número, junto com São Bento do Norte. Touros, por exemplo, tem 39 confirmados, enquanto João Câmara tem 10, Rio do Fogo tem 9, Pedra Grande tem 7 e Caiçara do Norte tem 5. Ceará Mirim, com 64 casos, é o maior número da região. Estes dados, do Boletim Epidemiológico do RN, foram repassados ao noBalacobaco pelo blog O Contador de Causos.
Pesquisa
reprova ação da Prefeitura
Se
as pessoas não devem ter preconceito
com vítimas do Covid-19, é importante que elas sejam ouvidas sobre providências
que devem ser adotadas para evitar que a doença se aproxime delas. São Miguel do Gostoso, por exemplo, reprovou a
abertura da cidade, feita pela Prefeitura local, para a construção de novos parques eólicos.
Enquete/pesquisa
feita recentemente pela
AmeGostoso, uma das associações que reúnem
empresários da cidade, usou uma plataforma do Google para ouvir a
opinião de moradores sobre decreto da Prefeitura de permitir que trabalhadores,
de outras regiões do RN e de outros Estados, se instalassem na cidade.
Segundo
a AmeGostoso, 220
pessoas responderam, espontaneamente, os dados da enquete – a plataforma do Google não permite que um mesmo celular responda ao
questionário mais de uma vez. Veja os resultados desta enquete:
1)73,6%
das pessoas que disseram que
a Prefeitura de SMG deveria anular o decreto que “liberou a entrada de
funcionários para a instalação de novos parques eólicos”. Já 26,4% concordaram com
a medida.
2)Para
a pergunta se o morador “aprovou
este decreto da Prefeitura”, 79,1% disseram que não, enquanto 20,9% disseram
que aprovaram a iniciativa.
3)Para
a última pergunta da
enquete – “você se sente seguro com a abertura de novos parques eólicos durante
a pandemia do Covid-19?” -, 83,2% das pessoas disseram que não. Já 16,8%
apoiaram a iniciativa da Prefeitura.
O
decreto municipal que autorizou a
construção de novo parque eólico, em plena pandemia do Covid-19, foi assinado
pelo prefeito Renato de Doquinha no final de abril. O decreto também liberou
pousadas para hospedarem estes trabalhadores. Poucas pousadas da cidade
acataram a orientação municipal.
Até
a semana passada, 85
trabalhadores deste parque já estavam na cidade, hospedados em pousadas ou
casas alugadas. Enquanto isso, dois técnicos que trabalhavam em parque eólico já
existente no município foram diagnosticados com o Covid-19. Ambos são de Mossoró,
forte foco da doença no RN – os dois estão em sua cidade.
Ceiça
Modesto, que preside a
AmeGostoso, disse que pediu explicação do prefeito sobre a abertura da cidade para
a construção de novos parques eólicos, mas que não foi atendida. “Então
pensamos em algo que comprovasse a vontade da maioria da população. Por isso
buscamos esta pesquisa”, diz Ceiça.


