Por Emanuel
Neri
Imagine uma
cidade turística como São Miguel do Gostoso, com forte
especulação imobiliária (foto), conviver sem um Plano Diretor.
Pois foi
isso que estava acontecendo até a manhã desta quinta-feira
(3/12), quando audiência na Câmara
Municipal, com participação de vereadores e comunidade, aprovou a publicação,
em Diário Oficial, do Plano Diretor que havia sido aprovado em 2008, ainda
durante a gestão de Miguel Teixeira na prefeitura local.
O Plano
Diretor é a lei que disciplina o ordenamento urbano de uma
cidade. Graças a ele, a cidade determina limites para larguras de ruas,
alinhamento de casas, calçadas, ocupação de terrenos, recuos e altura de
residências e prédios, além de outras regras para que a cidade
cresça e se desenvolva com ordem.
Pois até
agora São Miguel do Gostoso estava sem esta lei. Em
2008, o projeto foi aprovado pelo pela Câmara Municipal, sancionado por Miguel
Teixeira, mas o então prefeito não mandou publicar o Plano Diretor no Diário
Oficial. Sem isso, esta importante lei não tem validade. Grave falha da gestão
de Miguel Teixeira.
Ocorre que
de 2008 para 2015 muita coisa mudou. A atual gestão, da
prefeita Fátima Dantas, junto com a Câmara Municipal, tentaram
desfazer este nó para que o município tivesse seu Plano Diretor. Mas só nesta
quinta isso foi possível. A Câmara, em audiência pública, autorizou a
publicação da lei anterior.
O Plano
Diretor a ser publicado – e que oficialmente passa a valer para
São Miguel do Gostoso – vai sofrer algumas modificações. Mas estas mudanças só
serão oficialmente feitas em nova audiência pública marcada para 3 de março de
2016. Até lá, vários setores da comunidade, entre eles o turístico, discutirão
as alterações.
Sem seu
Plano Diretor, que já deveria estar valendo desde a
administração de Miguel Teixeira, cidade e município ficaram sem normas de
urbanização. Uma pena que tenha havido este descuido. Por causa disso, houve
avanços e ocupações em terrenos públicos. Um dos casos mais graves é o de uma pizzaria na
entrada da praia do Cardeiro.
Os trabalhos
da audiência pública foram dirigidos pelo vereador José
Jubenick (PT), que presidiu a comissão criada pela Câmara Municipal para
discutir o Plano Diretor. O debate demorou horas para que se chegasse a um consenso e fosse possível, com isso, a autorização para que o Plano Diretor de 2008 fosse publicado no Diário Oficial.
Na audiência
pública desta quinta, houve consenso - entre vereadores e
comunidade – em muitas coisas que serão alteradas no Plano Diretor anterior.
Uma delas é que a largura de terrenos para construções, que é chamado de
“testeira”, é de no mínimo 12 metros – no estudo anterior previa-se 15 metros.
Também se
concordou em aprovar o chamado “IPTU progressivo”. Isso vale
para terrenos que são comprados apenas para valorização – ou especulação
imobiliária. Significa que, se nada for construído no terreno depois de algum
tempo, o IPTU vai aumentando. Este tipo de imposto diferenciado pode valer
ainda para construções em áreas nobres da cidade.
Também houve
consenso em torno da verticalização (altura) de prédios e
residências. Na faixa da orla, por exemplo, a altura permitida é de apenas um
pavimento – térreo e primeiro andar. Esta é praticamente a mesma altura da
avenida dos Arrecifes, principal artéria da cidade, onde a altura máxima será
de 7,5 metros.
Mas esta
altura vai sendo ampliada à medida que os terrenos
estiverem mais distantes da avenida dos Arrecifes. Pode-se construir casas ou
prédios de até quatro pavimentos se o imóvel for construído depois dos 500
metros da avenida dos Arrecifes. Em uma escala intermediária (250 metros da
Arrecifes) o imóvel por ter dois pavimentos.
Outra
definição é a faixa que pode ser ocupada em cada terreno. Na
faixa próxima à praia, por exemplo,
pode-se ocupar 60% do terreno. À medida que o terreno se distanciar da praia
pode-se chegar a 70% e até 80%, para os mais distantes, de área construída. O
recuo dos imóveis em relação à rua vai de 3 a 3,5 metros.
Há muitas
outras alterações que devem ser feitas na adequação do Plano
Diretor, marcada para a reunião de 3 de março de 2016. É importante que, antes
disso, todos os setores produtivos e sociais da comunidade discutam entre elas estas
mudanças para que haja consenso de todo o município em torno do seu novo Plano
Diretor.
Finalmente, depois de
muito trabalho – que contou com a participação de estudantes e professores da
UFRN e de outros órgãos – São Miguel do Gostoso começa a definir a lei que vai
disciplinar seu crescimento. Pena que tenha havido um cochilo na gestão
anterior e na atual, pois o município já devia há muito tempo contar com seu Plano
Diretor.


