Por Emanuel
Neri
Mesmo com a economia
do Brasil estagnada, com índices baixíssimos de crescimento, a região Nordeste
(mapa na foto) continua apresentando bons sinais de vitalidade. Em 2014, enquanto o país
apresentava um crescimento de apenas 0,1%, o Nordeste cresceu 3,7% em relação a
2013. Um ótimo crescimento.
Estes dados,
recentemente divulgados, fazem parte do índice de Atividade Econômica do Banco
Central (BC), considerado uma espécie de prévia do crescimento do PIB –
geralmente estes dados coincidem com os números divulgados pelo IBGE sobre o
crescimento do país e de suas regiões.
Quando
comparado ao Sudeste, que cresceu apenas 0,8% no mesmo
período, percebe-se, segundo os números do Banco Central, que o Nordeste é a região que
mais cresce no país. E o que contribuiu para este crescimento expressivo na
região? Segundo o Banco Central, pesaram para isso a expansão da agricultura e do
comércio.
Mas há
outros motivos que têm contribuído, nos últimos anos,
para que o Nordeste - região formada por nove Estados e considerada a mais pobre do país - cresça a níveis superiores ao de outras regiões do país.
Segundo economistas que
acompanham a economia do Nordeste, a região se beneficia dos efeitos da
distribuição de renda, da política de correção do salário mínimo e dos
programas sociais implantados nos últimos anos no Brasil, como o Bolsa Família, principalmente nos governos Lula e Dilma.
Quem conhece
bem ou mora no Nordeste, principalmente em cidades do interior, sabe muito
bem o que estes números representam. De fato, o Nordeste passou a crescer de forma significativa nos últimos 12
anos de governo. Basta ver o número de casas que foram ou estão sendo construídas e o volume de motos e carros
circulando nas ruas das cidades. Só não vê isso quem não quer.
Embora ainda seja
inferior ao restante do país, a média salarial do Nordeste tem crescido
substancialmente nos últimos anos. Pesquisas realizadas nas duas maiores
regiões metropolitanas do Nordeste, como a de Salvador e de Recife, comprovam
que a média salaria já se aproxima de R$ 1.500 mensais.
Vejam estes outros números
para entender melhor o motivo pelo qual o Nordeste está crescendo mais do que outras regiões do país.
Segundo os
dados do Banco Central, as vendas do chamado varejo
ampliado (automóveis e material de construção) subiram 2,1% no Nordeste em
2014, enquanto no Sudeste, região mais rica do país, caíram 3,5%. Isso fez com
que a média nacional fosse puxada para baixo, ficando em 1,7%.
A produção
agrícola tem pesado muito no crescimento do Nordeste. Só no
Piauí, por exemplo, a produção de soja cresceu 60% entre 2013 e 2014. No
conjunto de todos os Estados nordestinos, a produção agrícola cresceu 9%, bem
acima do crescimento nacional, que foi de apenas 1,8%.
Embora não
tenha sido ainda detectado pelos indicadores econômicos,
é provável que o investimento em energia eólica também esteja pesando
favoravelmente no crescimento do Nordeste. Somente em São Miguel do Gostoso,
por exemplo, os investimentos em parques eólicos superam R$ 2 bilhões.
Agora
imagine o peso da energia eólica no crescimento do
Nordeste em Estados como o Rio Grande do Norte, maior produtor do Brasil, Ceará
e Bahia. Investimentos em energia eólica continuam crescendo e talvez este seja
um fator que faça com que o Nordeste, ao contrário do Brasil, continue
crescendo.
Alguns economistas acham que o Nordeste pode diminuir seu ritmo de
crescimento a partir de 2015. Mas um dado do Banco do Nordeste, responsável por
grande parte de financiamentos para a produção na região, diz que a previsão
de financiamento para 2015 é de R$ 28 bilhões – em 2014, foi R$ 27 bilhões.
Abaixo,
links em que você pode obter mais informações sobre o
crescimento no Nordeste.


