Por Emanuel
Neri
Ainda tem
muita gente no Brasil – em especial no meio político –
que contesta e quer o fim do Bolsa Família, programa do
governo federal que beneficia mais de 45 milhões de pessoas no país. Mas o fato
concreto é que este programa que complementa renda e combate a fome
mudou a cara do Brasil nos últimos anos.
Na semana
passada, a FAO, braço da Organização das Nações Unidas
(ONU) para alimentação e agricultura, informou que o Brasil deixou de fazer
parte do Mapa Mundial da Fome. O número de brasileiros que ainda enfrentam
algum problema alimentar representa 1,7% da população – antes eram oito
vezes mais.
Na ponta do lápis, significa que 1,7% da população brasileira - hoje em 200 milhões de habitantes - representam em torno de 3,4 milhões de pessoas. Ainda há muita gente que enfrenta restrição alimentar. Mas não há dúvidas de que houve avanços significativos no combate à fome. A própria ONU admite que a tendência é de redução ainda maior deste índice nos próximos anos.
Na ponta do lápis, significa que 1,7% da população brasileira - hoje em 200 milhões de habitantes - representam em torno de 3,4 milhões de pessoas. Ainda há muita gente que enfrenta restrição alimentar. Mas não há dúvidas de que houve avanços significativos no combate à fome. A própria ONU admite que a tendência é de redução ainda maior deste índice nos próximos anos.
Ao mesmo
tempo, outro relatório da ONU informou que, entre 2001 e
2012, a pobreza no Brasil foi reduzida de 24,3% da população para 8,4%. Em
relação à extrema pobreza, a queda foi de 14% para 3,5%. Estes dados fizeram
com que o país cumprisse, com antecipação, as metas dos Objetivos do Milênio da
ONU.
A que se
devem, portanto, estas mudanças tão significativas no perfil do cenário da
fome e da pobreza no Brasil?
A resposta a
esta pergunta não é do governo federal, responsável pela implantação no
Brasil, a partir de 2003 (governo Lula), de uma efetiva agenda política de combate
à fome e à pobreza no país. Quem deu esta resposta mais uma vez foi a ONU, a partir
de relatórios divulgados nas últimas semanas.
“O Fome Zero fez da fome
um problema fundamental incluído na agenda política do Brasil a partir de 2003”,
diz um dos relatórios da ONU sobre a fome. O Fome Zero é um programa que inclui
ação de 19 ministérios, responsáveis por ações de proteção social, estímulo ao
emprego, produção familiar agrícola e nutrição.
O Bolsa
Família, contestado por uma corrente conservadora
brasileira, está sob o guarda-chuva do Fome Zero. Todas estas ações
causaram uma profunda mudança no perfil social do Brasil. Entre 2003 e 2011, 37
milhões de brasileiros saíram da pobreza para a classe média – que já soma 55%
da população do país.
Acrescente-se
a este número outro dado significativo. Também entre 2003
e 2012, outros 22 milhões de brasileiros deixaram a extrema pobreza do país.
Foi isso que fez o Brasil sair do Mapa Mundial da Fome, da ONU – como
foi dito acima, apenas 1,7% da população do país ainda são consideradas muito
pobres.
Quando se
olha para dados sobre a redução da fome e da pobreza no Brasil, aparece
também outro indicador para explicar o salto social dado pelo país nos
últimos anos. A renda dos brasileiros pobres cresceu 90% nos últimos dez anos.
E isso se deve à política de criação de empregos e aumento do salário
mínimo.
Voltando ao Bolsa
Família e ao Fome Zero. O Brasil já é a sétima economia do
mundo, com Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 4,84 trilhões (mais de US$ 2
trilhões). Dá para imaginar um país com este porte econômico sem ter uma
política pública voltada para combater a fome e a miséria da sua
população?
A resposta é
absolutamente não. Mas é fato que, só nas últimas décadas, o Brasil passou
a combater efetivamente a fome da população. E uma das iniciativas pioneiras
neste campo foi do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, que morreu de Aids em
1997. Betinho criou, numa ação com a sociedade, o Natal Sem Fome.
Pelo menos
no período do Natal a população com fome recebia uma cesta de
alimentos. Betinho cravou uma frase, em sua campanha, que acabou estimulando
futuras administrações do Brasil. “Quem tem fome, tem pressa”. Isso significa
que, quem está com fome, não pode esperar para matar a fome dela e da família.
Foi a partir
de 2013, com o governo Lula, que seguiu os passos e adotou
os bons ensinamentos do Betinho, de quem era amigo e aliado político, que se
criou no Brasil uma agenda política de combate à fome. No governo Dilma,
criou-se o Brasil Sem Miséria, que amplia ainda mais as ações no combate à
fome.
Fim dos saques nas secas
Por último, só mais um registro. O Bolsa Família foi fundamental para o fim dos saques de famintos castigados pelas secas (foto), muito comum no Nordeste do passado. O Nordeste vive hoje seu quinto ano seguido de seca e não há um único registro de pessoas famintas invadindo e saqueando o comércio das cidades.
Por último, só mais um registro. O Bolsa Família foi fundamental para o fim dos saques de famintos castigados pelas secas (foto), muito comum no Nordeste do passado. O Nordeste vive hoje seu quinto ano seguido de seca e não há um único registro de pessoas famintas invadindo e saqueando o comércio das cidades.
O Brasil
mudou seu perfil social nos últimos anos. Já não existem
os mesmos problemas com fome e miséria que existiam antes.
Abaixo, links nos
quais você vai encontrar farto material da ONU sobre o combate à fome no
Brasil, dados sobre redução da miséria, melhoria de renda, informações sobre
Betinho e relatos assustadores sobre saques de famintos no Nordeste, inclusive
no Rio Grande do Norte, na seca de 2001.


