Por Emanuel
Neri
Tudo começou com o aumento
das tarifas do transporte público. Ônibus, trens e metrô aumentaram seus preços
em muitas capitais do país, mas a chama da onda de protestos que tomou conta de
todo o Brasil nos últimos dias começou em São Paulo (foto).
O aumento da tarifa em
São Paulo passou de R$ 3,00 para R$ 3,20, abaixo do índice de inflação do
último ano. Mas, mesmo assim, os estudantes foram para as ruas. A polícia de
São Paulo reprimiu violentamente os protestos. Foi o estopim do incêndio.
Além da repressão aos
manifestantes, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), justificou a
violência – estudantes e jornalistas que cobriram os protestos também
saíram feridos pelo uso de balas de borracha e gás lacrimogêneo.
Nos protestos da segunda-feira,
parte dos manifestantes tentou invadir o Palácio dos Bandeirantes, sede do
governo paulista. O portão do palácio foi derrubado, mas a polícia reagiu e os
manifestantes recuaram. Mas houve protestos em todo o Brasil.
Em Brasília, os manifestantes
subiram na laje do Congresso Nacional. No Rio, o prédio da Assembléia
Legislativa foi invadido – policiais e manifestantes ficaram feridos. Houve
protestos também, com violência, em Porto Alegre e Belo Horizonte.
Embora o alvo
inicial das manifetações tenha sido o aumento do transporte público, os
protestos são generalizados. Protesta-se contra tudo e contra todos. Estão no
alvo prefeitos de capitais e governadores estaduais, parlamentares e a
presidenta Dilma.
Mas a fúria dos
manifestantes também atira em direção ao deputado Marcos Feliciano (PSC-SP),
presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que deu declarações
homofóbicas e racistas. A TV Globo de São Paulo foi alvo dos protestos.
Nesta terça-feira
(18/6), quando se esperava que a situação acalmasse, houve novos protestos em
São Paulo. Desta vez o alvo foi a Prefeitura da capital. Uma minoria dos manifestantes
atirou pedras contra a prefeitura e saqueou inúmeras lojas comerciais.
Na noite desta terça,
os protestos pareciam fugir do controle. Órgãos do governo paulista foram
atacados e agência de bancos incendiadas. A polícia acredita que agitadores e
baderneiros se infiltraram no movimento cuja origem era pacífico.
Um dos alvos de
parte dos manifestantes são os gastos elevados com a Copa do Mundo e a Copa das
Confederações. Em Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro houve protestos,
reprimidos pela polícia, nas imediações de estádios de futebol.
O alvo dos protestos
ainda é bastante difuso. O movimento tem repudiado a presença de bandeiras de
partidos de esquerda, com o PSTU e PSOL, que tentaram se aproveitar dos protestos
em São Paulo, Rio e Brasília. Não há líderes do movimento.
Uma das entidades que
organizaram os primeiros protestos, em São Paulo, é o Movimento Passe Livre
(MPL), que defende o uso do transporte sem pagamento de tarifa. De qualquer
jeito, os protestos conseguiram reduzir os preços das tarifas.
Muitas capitais do
país – como Recife, Manaus, João Pessoa e Natal – reduziram os preços que tinham
aumentado. Mas São Paulo não havia ainda recuado no aumento de R$ 0,20 para
ônibus, do governo municipal; trens e metro, do governo estadual.
Sinal de que os
protestos podem continuar nos próximos dias. Ainda na noite desta terça-feira,
a prefeitura de Belo Horizonte foi atacada. Há relatos dramáticos de repórteres
sobre cenas de vandalismo presenciadas em São Paulo e outras cidades.
Ainda não se sabe
ao certo o que vai acontecer com o Brasil diante destes protestos. O momento é
de muita tensão em todo o país. O Brasil é um país democrático. As manifestações
e protestos são livres. Mas isso não pode descambar para a violência.
Veja, abaixo,
links para informes sobre os protestos da noite desta terça no país.



