terça-feira, 18 de junho de 2013

Protestos que começaram em São Paulo contra as tarifas do transporte público se espalham pelo Brasil



Por Emanuel Neri
Tudo começou com o aumento das tarifas do transporte público. Ônibus, trens e metrô aumentaram seus preços em muitas capitais do país, mas a chama da onda de protestos que tomou conta de todo o Brasil nos últimos dias começou em São Paulo (foto).
O aumento da tarifa em São Paulo passou de R$ 3,00 para R$ 3,20, abaixo do índice de inflação do último ano. Mas, mesmo assim, os estudantes foram para as ruas. A polícia de São Paulo reprimiu violentamente os protestos. Foi o estopim do incêndio.
Além da repressão aos manifestantes, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), justificou a violência – estudantes e jornalistas que cobriram os protestos também saíram feridos pelo uso de balas de borracha e gás lacrimogêneo.
Nos protestos da segunda-feira, parte dos manifestantes tentou invadir o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. O portão do palácio foi derrubado, mas a polícia reagiu e os manifestantes recuaram. Mas houve protestos em todo o Brasil.
Em Brasília, os manifestantes subiram na laje do Congresso Nacional. No Rio, o prédio da Assembléia Legislativa foi invadido – policiais e manifestantes ficaram feridos. Houve protestos também, com violência, em Porto Alegre e Belo Horizonte.
Embora o alvo inicial das manifetações tenha sido o aumento do transporte público, os protestos são generalizados. Protesta-se contra tudo e contra todos. Estão no alvo prefeitos de capitais e governadores estaduais, parlamentares e a presidenta Dilma.
Mas a fúria dos manifestantes também atira em direção ao deputado Marcos Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que deu declarações homofóbicas e racistas. A TV Globo de São Paulo foi alvo dos protestos.
Nesta terça-feira (18/6), quando se esperava que a situação acalmasse, houve novos protestos em São Paulo. Desta vez o alvo foi a Prefeitura da capital. Uma minoria dos manifestantes atirou pedras contra a prefeitura e saqueou inúmeras lojas comerciais.
Na noite desta terça, os protestos pareciam fugir do controle. Órgãos do governo paulista foram atacados e agência de bancos incendiadas. A polícia acredita que agitadores e baderneiros se infiltraram no movimento cuja origem era pacífico.
Um dos alvos de parte dos manifestantes são os gastos elevados com a Copa do Mundo e a Copa das Confederações. Em Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro houve protestos, reprimidos pela polícia, nas imediações de estádios de futebol.
O alvo dos protestos ainda é bastante difuso. O movimento tem repudiado a presença de bandeiras de partidos de esquerda, com o PSTU e PSOL, que tentaram se aproveitar dos protestos em São Paulo, Rio e Brasília. Não há líderes do movimento.
Uma das entidades que organizaram os primeiros protestos, em São Paulo, é o Movimento Passe Livre (MPL), que defende o uso do transporte sem pagamento de tarifa. De qualquer jeito, os protestos conseguiram reduzir os preços das tarifas.
Muitas capitais do país – como Recife, Manaus, João Pessoa e Natal – reduziram os preços que tinham aumentado. Mas São Paulo não havia ainda recuado no aumento de R$ 0,20 para ônibus, do governo municipal; trens e metro, do governo estadual.  
Sinal de que os protestos podem continuar nos próximos dias. Ainda na noite desta terça-feira, a prefeitura de Belo Horizonte foi atacada. Há relatos dramáticos de repórteres sobre cenas de vandalismo presenciadas em São Paulo e outras cidades.
Ainda não se sabe ao certo o que vai acontecer com o Brasil diante destes protestos. O momento é de muita tensão em todo o país. O Brasil é um país democrático. As manifestações e protestos são livres. Mas isso não pode descambar para a violência.
Veja, abaixo, links para informes sobre os protestos da noite desta terça no país.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Projeto da lagoa do Cardeiro não afeta meio ambiente e cria área de uso público para São Miguel do Gostoso



Por Emanuel Neri
Se há um tema que este blog defende com entusiasmo é o meio ambiente. Mas é preciso distinguir defesa ecológica de alarmismos em torno de qualquer mudança que se queira fazer em áreas públicas para melhorar a estrutura urbana das cidades e a vida das pessoas.
Neste domingo (16/6), o noBalacobaco visitou, mais uma vez, a área da lagoa do Cardeiro (foto), em São Miguel do Gostoso, onde a prefeitura iniciou um processo de limpeza para, futuramente, fazer ali uma área pública com equipamentos de lazer para a cidade.
Do que foi feito no entorno da lagoa, não existe absolutamente nada que possa ser caracterizado como dano à natureza. Foram retiradas cercas velhas caindo aos pedaços e foi coletado o lixo –garrafas, latas e galhos secos- que há anos se acumulava ali.
Tudo foi feito rigorosamente dentro de padrões de respeito à natureza. Então por que tanto protesto contra esta iniciativa? A única explicação que se pode tirar disso é a aversão da população da região à criação de área pública para o lazer no local.
Por enquanto está sendo feito apenas a limpeza no entorno da lagoa. Já se pode notar a diferença do que era antes e do que é agora. Já há mais espaços livres do lixo e as árvores locais – principalmente carnaubeiras – ganharam muito mais visibilidade.
No futuro, a prefeitura pretende fazer ali um projeto que pode mudar a cara da cidade. A ideia é desenvolver, com suporte de órgãos especializados – como Idema e Ibama -  uma área com equipamentos de esporte e lazer para o uso da população.
A prefeitura pretende fazer ali trilhas para corridas (cooper) e passeios, ciclovias, equipamentos esportivos, além de espaços com bancos para que as pessoas apreciem melhor a beleza daquilo que é seguramente o cartão postal mais bonito da cidade.
Imagine agora a área que a cidade vai ganhar e que será um verdadeiro parque, com uma lagoa no meio e árvores – coqueiros, cajueiros e carnaubeiras – por todos os lados. O entorno da lagoa tem mais de 2.500 metros para servirem de área de lazer.
Não serão permitidos ali barracas nem bares barulhentos. Também não serão feitos calçadões nem outras obras que entrem em desarmonia com a natureza. Tudo o que será feito ali serão equipamentos de lazer que estarão em sintonia com o ambiente.
Tem mais. Na visita que o noBalacobaco fez à lagoa viu que casas e pousadas estão cada vez mais avançando seus terrenos sobre a área que, pela legislação, deve ser de preservação. A criação de um espaço público ali vai evitar estas invasões na lagoa.
O perigo está em não se fazer nada. Além da invasão de pousadas e casas, também há o risco de a especulação imobiliária destruir tudo aquilo em curto prazo. A região é linda e todos estão de olho. Já se nota aqui e acolá cercas em locais proibidos.  
Se não forem tomadas providências públicas – e isso cabe à prefeitura -, os cercados viram propriedades particulares e rapidamente toda a área estrará tomada por casas, pousadas e estradas. Seria a destruição daquilo que, por lei, tem que ser preservado.
A prefeitura de São Miguel do Gostoso está no caminho certo. Preservar a lagoa do Cardeiro e fazer dali uma área de esporte e lazer, com equipamentos públicos para o usufruto da cidade, é um direito da população e uma obrigação do poder público.
Se você tiver dúvidas do que está sendo feito na lagoa do Cardeiro, dê uma passada pelo local. Pegue a estrada que liga a avenida principal da cidade à praia do Santo Cristo. Veja, à direita da lagoa, como as árvores e tudo ali está mais limpo e bonito.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Prefeitura faz limpeza em todo o entorno da lagoa do Cardeiro; futuramente, a área será usada para lazer



Por Emanuel Neri
Não há nenhum motivo para que a população fique assustada com o trabalho de limpeza que a Prefeitura está fazendo no entorno da lagoa do Cardeiro (foto), em São Miguel do Gostoso. O mais mais belo cartão postal da cidade deve se transformar, no futuro, em área de uso público.
Tem muita gente reclamando do trabalho que vem sendo feito ali pela Prefeitura. Uns dizem que está havendo desmatamento e que estão sendo cavados buracos para enterrar o lixo. A Prefeitura diz que o trabalho é exclusivamente de limpeza e não afeta o meio ambiente.
No futuro, a ideia da Prefeitura é criar no entorno da lagoa do Cardeiro uma área de lazer. Seriam feitos ciclovia e pista de cooper. Na extensão da lagoa – nas praias do Santo Cristo e Cardeiro - haveria bancos para quem quiser contemplar o belo visual.
Mas esta estrutura deve ficar para uma etapa mais adiante. No momento, o trabalho da Prefeitura limita-se à limpeza. O trabalho foi iniciado pela parte da lagoa que fica no Santo Cristo – depois, a limpeza prosseguirá em direção da praia do Cardeiro.
Parte daquele terreno, que é público, havia sido cercado por um proprietário de terras do Santo Cristo. A Prefeitura conseguiu que ele tirasse a cerca. Depois, iniciou o trabalho de limpeza de toda a área. Havia muito lixo em todo o entorno da lagoa.
Com a cerca retirada, foi iniciado o serviço de limpeza. A Prefeitura diz que uma única árvore, um juazeiro, foi derrubada por causa da presença de cupim. Na limpeza, cobras foram mortas e em algumas áreas houve colocação de piçarra.
Uma coisa é certa. Se ali se transformar mesmo em área pública, haverá mais facilidade para a preservação de todo o entorno daquela lagoa. Hoje há construções que avançam sobre a área pública e há presença de fossas sépticas dentro da lagoa.
Com a área se transformando em espaço público, ficará muito mais difícil a construção de casas e fossas nestas áreas. Além disso, a cidade ganhará ótima área de lazer e de esportes em um dos locais mais bonitos de São Miguel do Gostoso.  
Não tem, portanto, motivo algum para ambientalistas se preocuparem com a deterioração daquela área. A Prefeitura diz que tudo será feito com apoio de órgãos ambientais, como o Ibama e Idema, além do suporte de biólogos e engenheiros ambientais.
Água no Maceió
A Prefeitura também informou que desde ontem (12/6) está solucionado o problema de água no bairro do Maceió. Foi perfurado mais um poço e adquiridos motores para levar água para todo o bairro. O Maceió também vai ganhar uma academia pública.
Esta academia – em área aberta – será construída na praça do Cruzeiro, entre a avenida dos Arrecifes e a rua Arabaiana. Esta academia terá um salão de convivência para ser utilizado por jovens e adultos em atividades recreativas e culturais.
Outra ação da Prefeitura para o Maceió é uma pareceria com a ONG ASLÍRIO para que o Programa de Saúde da Família (PSF), com presença de médicos e enfermeiros,  atue ali três vezes por semana. O Maceió é um dos bairros mais carentes da cidade.  
A Câmara Municipal também vai realizar, uma vez por mês, uma sessão pública com os moradores do Maceió. Os vereadores se reunirão com os moradores para saber suas necessidades. O mesmo tipo de sessão pública será feiro no Santo Cristo.
Outra notícia boa para São Miguel do Gostoso. O Banco do Brasil anunciou que reabrirá na próxima semana seu caixa eletrônico da cidade. O prédio onde este caixa eletrônico funciona foi destruído em uma tentativa de assalto, há cerca de um ano.   
  

Livro conta história do primeiro marco colonial e de polêmica sobre o local do descobrimento do Brasil



Por Emanuel Neri
É sempre importante tomar conhecimento da história, em especial quando esta história faz parte das nossas vidas. O primeiro marco colonial português em terras brasileiras foi deixado, um ano após o descobrimento do Brasil, em uma praia de São Miguel do Gostoso.
Este marco, de 1501, chegou ao Brasil na expedição de Gaspar de Lemos, e foi chantado – o termo técnico – na Praia do Marco, a menos de 20km da cidade de São Miguel do Gostoso. Há inúmeros registros e documentos históricos sobre este fato que marca a origem do Brasil.
Depois de chegar à Praia do Marco (foto), a expedição seguiu em direção ao Sul do país para deixar outros marcos – uma pedra em que estão esculpidos símbolos portugueses – ao longo do litoral brasileiro, como Pernambuco, Bahia e São Vicente (São Paulo) .
Pois boa parte desta história, desta vez com olhar bem regional, está sendo contada em um livro de Tânia Maria da Fonseca Teixeira, moradora da praia do Marco que, na verdade, fica na divisa dos municípios de São Miguel do Gostoso com Pedra Grande.
Arraial do MarcoNosso Porto Seguro” é o nome do livro escrito por Tânia, proprietária de uma pousada na praia do Marco. Tânia relata toda a história deste marco, desde sua descoberta até sua retirada para um museu de Natal, em 1974.
Tânia conta que o povoado em que o marco estava localizado foi soterrado e que os moradores locais se dispersaram por duas comunidades – Morro dos Martins e Morros dos Paulo -, ambas em São Miguel do Gostoso. Mas o marco ficou no local de origem.
Até ser levado para Natal, o marco era tido como um símbolo religioso, em torno do qual os moradores locais enterravam seus mortos. Havia romaria até o local para se pagar promessas. O marco, fato histórico, passou a ser chamado de “Santo Cruzeiro”.
Felizmente este foco religioso pertence ao passado. As gerações atuais não mais acreditam no marco como símbolo santo, mas sim como fato de grande relevância histórica, que marca o descobrimento do Brasil e o início da colonização portuguesa em terras brasileiras.
São Miguel do Gostoso e Pedra Grande lideram campanha para trazer de volta o marco para o seu local de origem. Ali, será construído memorial que contará a história deste importante fato da história brasileira. O local deve virar ponto turístico.
Em seu livro, Tânia também aborda a tese do historiado Lenine Pinto. Segundo Lenine, as caravelas de Pedro Alvares Cabral chegaram pela primeira vez à praia do Marco e não a Porto Seguro, na Bahia, como registram os livros de História do Brasil.
Tânia cita vários historiadores que dão, de alguma forma, certa veracidade à tese de Lenine. Questiona, por exemplo, a obra de um historiador Francisco Adolfo Varnhagen (1816-1878), o “inventor” de que o Brasil foi descoberto em Porto Seguro.
Por causa desta tese, segundo Tânia, Varnhagen recebeu o título de “Visconde de Porto Seguro”.
“Nosso esforço é no sentido de compreender, de mediar o diálogo com sensibilidade social”, diz Tânia, no prefácio do seu livro. “Nossa maior ambição é a de, através de novos intérpretes, alcançar uma compreensão mais ampla da nossa história”, afirma.
Além da tese se o Brasil foi descoberto na praia do Marco ou em Porto Seguro, o livro de Tânia é enriquecido por histórias de moradores das comunidades do Marco, Cauã, do Morro dos Martins e do Morro dos Paulo – esta sim a história viva deste livro.   
“Concluiremos ouvindo os nativos da Praia do Marco sobre as suas vivências e a dos seus antepassados, de maneira a mostrar a visão dos próprios protagonistas desta história”, afirma Tânia, cujo livro deverá ser lançado ainda este ano.
Veja, abaixo, link com dados sobre o marco colonial – também chamado Marco de Touros, pelo fato de a praia do Marco pertencer incialmente ao município de Touros - e outras informações sobre a descoberta do Brasil e as expedições colonizadoras.