segunda-feira, 22 de abril de 2013

Marco colonial entre São Miguel do Gostoso e Pedra Grande pode ter memorial e virar atração turística



Por Emanuel Neri
Lenine Pinto é um historiador que tem uma tese curiosa. Segundo ele, o Brasil foi descoberto por Cabral, em 1500, no Rio Grande do Norte, mais precisamente no litoral que compreende São Miguel do Gostoso, e não no litoral da Bahia. 
De acordo com a tese de Lenine, o Monte Pascoal visto pela esquadra de Cabral na verdade era o Pico do Cabugi, em Angicos (RN), visto do litoral potiguar. Lenine sustenta sua tese com base em rotas de navegação, correntes marítimas e posição dos ventos. Isso levariam a esquadra ao litoral potiguar.
Na tarde desta segunda-feira (22/4), Lenine fez uma concorrida palestra em São Miguel do Gostoso. O local da palestra, o Salão Múltiplo Uso, estava lotado, com a presença de professores, estudantes, prefeitos e vereadores de três municípios: São Miguel do Gostoso, Touros e Pedra Grande.
A tese de Lenine não é oficial. É uma contestação a dados históricos que dizem que Porto Seguro, na Bahia, foi o primeiro lugar ao qual chegou a esquadra de Cabral. O livro em que Lenine sustenta esta tese chama-se “Reinvenção do Descobrimento”
Seja qual for a conclusão histórica sobre o local exato do descobrimento do país, o fato é que a história do Brasil começa realmente pelo litoral do Rio Grande do Norte. Este ponto de partida é o chamado Marco do Descobrimento, na Praia do Marco.
A Praia do Marco fica a menos de 20km da sede de São Miguel do Gostoso. A praia fica no limite do município de São Miguel do Gostoso com Pedra Grande. Este marco já foi chamado de Marco de Touros, a quem antes pertencia São Miguel do Gostoso.
A história deste marco é oficial e consta de documentos históricos do descobrimento do Brasil. É fato que, um ano depois do descobrimento, ou seja, em 1501, uma expedição portuguesa veio demarcar as novas terras descobertas por Portugal.
Esta expedição era comandada por Gaspar de Lemos. O marco é uma pedra de mais ou menos 2 metros de comprimento, com as armas da coroa portuguesa. Depois deste marco, outros foram deixados em diversas praias ao longo do litoral brasileiro.
Desta forma, foram deixados outros marcos demarcatórios das terras de Portugal em Itamaracá, Pernambuco, Porto Seguro, na Bahia, e São Vicente, em São Paulo.
Este fato é incontestável. Está em São Miguel do Gostoso a praia onde pisaram pela primeira vez os portugueses, depois do descobrimento do Brasil. E este fato foi bastante lembrado no seminário de ontem, com a participação de Lenine Pinto.
A pesquisadora Tânia Teixeira, que tem uma pousada na Praia do Marco, informou que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tem planos para criar um espaço – espécie de memorial – para abrigar o Marco do Descobrimento (foto acima).
Este marco, que é considerado o monumento mais antigo do descobrimento da América, está hoje no Forte dos Reis Magos, em Natal. Ocorre que o Iphan vai assumir o controle do Forte e pretende devolver o marco ao seu local de origem.
Na Praia do Marco, existe atualmente uma réplica do marco original. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte fez um levantamento histórico e cultural sobre a história do marco.  O Iphan já estuda um espaço que servirá de abrigo para o marco.
Se este memorial for mesmo criado, aí é história pura. Não só São Miguel do Gostoso como todo o Rio Grande do Norte ganhará importante referencial histórico e um grande atrativo para impulsionar seu turismo. Isso dará grande visibilidade à região.
Os prefeitos do três municípios envolvidos nesta questão – São Miguel do Gostoso, Pedra Grande e Touros – prometeram se unir para incentivar a criação deste memorial. Isso deve ser feito em benefício da história e do turismo regional.
Agora é esperar que o Iphan conclua seus estudos para, com a ajuda destes três municípios, fazer mesmo o memorial que abrigará o marco do Descobrimento do Brasil. Aí o RN e o Brasil ganharão um monumento para contar sua própria história.
Veja, abaixo, informações sobre a tese do historiador Lenine Pinto, bem como dados sobre o Iphan, que cuida do patrimônio histórico e artístico do Brasil e poderá adotar o Marco do Descobrimento do Brasil, construindo memorial para poder abriga-lo.
   

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Jovem se recusa a rezar o Pai Nosso em sala de aula e é humilhado por professora e colegas; Brasil é país laico



Por Emanuel Neri
Esta historia é bem interessante. O estudante Ciel Vieira, de 17 anos, da cidade mineira de Miraí, recusou-se a rezar o Pai Nosso, antes do início da aula, como ordenava uma de suas professoras, e passou a ser humilhado por colegas de classe.
No início, o estudante se mantinha em silêncio, enquanto sua professora de Geografia rezava com os demais alunos. Nas aulas seguintes, o jovem falou para a professora que ela estava desrespeitando a Constituição, que determina que o Estado brasileiro é laico.
“Jovem que não tem Deus no coração nunca vai ter nada na vida”, respondeu a professora. Segundo ela, ninguém a impediria de rezar na aula, o que já fazia há 25 anos. E informou que nem se o jovem trouxesse à sala de aula um juiz ela ia deixar de rezar com os alunos.
Em outra aula, o jovem chegou atrasado à aula e os alunos já estavam rezando o Pai Nosso. Ciel se surpreendeu ao ouviu que seus colegas, provavelmente estimulados pela professora, tinham substituído o “livrai-nos do mal” da oração por um “livrai-nos do Ciel”.
Ciel, que é ateu, não teve dúvidas. Gravou um vídeo sobre a "oração" feita pelos colegas e pôs no Youtube. O vídeo teve enorme repercussão e foi objeto de reportagens na mídia. Humilhado pelos colegas, o estudante considerou ter sido vítima de “bulliyng”.
“Bulliyng” é um termo utilizado para definir violências físicas ou psicológicas de um grupo contra um indivíduo. É muito comum a ocorrência de “bulliyng” em escolas. Este tipo de prática é condenável pelo constrangimento que causa às vítimas.
Só que a atitude de Ciel fez com que a professora fosse obrigada, pela Secretaria de Educação de Minas, a não mais obrigar seus alunos a rezarem o Pai Nosso. De fato, a Constituição brasileira determina que o Estado não deve propagar nenhuma religião.
O Estado laico – também chamado de laicismo ou secular – é aquele em que há separação entre Estado e Igreja. Isso significa que qualquer país ou nação laica tem que manter posição de neutralidade e independência em relação às religiões. O Brasil é um Estado laico.
A atitude do jovem Ciel é interessante porque chamou a atenção de outras escolas que têm símbolos religiosos em salas de aula e obrigam, como no caso desta professora mineira de Miraí, que os alunos rezem nas aulas. Isso é contra o Estado laico.
O Estado laico pressupõe liberdade religiosa, mas não obriga ninguém a seguir qualquer tipo de religião. Muitas vezes alguns religiosos tentam impor sua religião a outras pessoas – isso é muito comum entre católicos, evangélicos e muçulmanos.
Depois que a professora foi proibida a obrigá-lo a rezar o Pai Nosso, o jovem Ciel fez um segundo vídeo. Desta vez, para agradecer o apoio recebido da Ateia (Associação  Brasileira de Ateus e Agnósticos), além da solidariedade manifestada por familiares.
A mãe de Ciel ficou orgulhosa da sua atitude ao resistir a praticar uma religião que não é a dele – na verdade, este jovem não tem religião alguma. “Até chorei quando vi o primeiro vídeo dele. Meu filho sempre foi um aluno ético”, disse a mãe de Ciel.
A seguir, relato sobre a história de Ciel – entre os quais reportagem da Revita Forum, de Renato Rovai, com os vídeos divulgados pelo jovem. Veja também informações sobre “bulling” e entenda como deve funcionar um Estado laico, como o Brasil.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Câmara deve aprovar lei que proíbe trânsito nas praias; multas e prisões para quem desrespeitar



Por Emanuel Neri
São Miguel do Gostoso agradece pela iniciativa da Câmara Municipal de acabar definitivamente com o perigosíssimo trânsito de veículos automotivos nas praias urbanas do município. Foram anos de abusos de motoristas, além de medo e sustos da população.
Mas finalmente a Câmara resolveu atender ao apelo da população. Ninguém se sente à vontade com carros passando de um lado para outro na praia, em alta velocidade, havendo o risco de, a qualquer momento, alguém ser atropelado por estes veículos (na foto, veículo já no mar).
O projeto que proíbe definitivamente o trânsito das praias é de autoria do vereador José Jubenick (PT), mas deve contar com o apoio dos demais membros da Casa. Vereadores também frequentam as praias e sabem o elevado risco que este trânsito representa.
A praia não foi feita para o trânsito de veículos. Além do risco de atropelamento, este tráfego causa sérios danos à fauna e a flora locais. Ninhos de tartaruga são destroçados sob os pneus de carros – tartarugas também são atropeladas e mortas.
O projeto deve passar nesta terça-feira (16) pela Comissão de Legislação e Justiça da Câmara. Se não houver nenhum imprevisto, o projeto vai à votação na sessão da próxima quinta-feira (18). Será sem dúvida uma grande vitória da população local.
Com a aprovação deste projeto, São Miguel do Gostoso dá mais um exemplo para outros municípios potiguares, que vivem o mesmo problema com o trânsito na praia.  Em algumas destas praias, já houve acidentes com mortes ou com ferimentos graves.
O projeto que será votado pela Câmara disciplina o trânsito em toda a orla do município. Nas praias urbanas – Santo Cristo, Cardeiro, Xepa, Maceió, Tourinhos, Morros e Marcos – o trânsito será proibido. Mas haverá restrições nas demais praias.
Nas praias não urbanas, os veículos só podem trafegar por uma trilha que foi traçada pelo Idema, Patrimônio da União e Comitê Orla de São Miguel do Gostoso. Com isso, o trânsito em praias passa a sofrer restrições em toda a extensão do município.
O projeto estabelece que os motoristas que descumprirem a lei serão multados e, no limite da desobediência à lei, podem ser detidos. E isso vale para motoristas de qualquer tipo de veículos, incluindo motos e quadriciclos. A polícia vai ajudar nesta fiscalização.
Desde o carnaval passado, a Prefeitura bloqueou os acessos da cidade às praias. Mas, depois, alguns acessos foram reabertos, para que passassem barcos, e depois não foram novamente fechados. É o caso dos acessos das praias do Maceió e da Xepa. Assim não dá.
A Prefeitura adora fazer trabalhos pela metade - nunca faz o serviço completo. Com estes acessos abertos, os motoristas entram e saem nas praias na hora que querem. Ao mesmo tempo, facilita com que os carros que chegam pelas praias acessem às vias da cidade.
Agora, com a aprovação da lei pela Câmara, espera-se que a Prefeitura reforce a fiscalização das praias. É importante que sejam colocadas placas, em tamanho grande, em vários pontos da praia, advertindo os motoristas para não trafegarem ali.
São Miguel do Gostoso espera que a Câmara Municipal seja sua aliada nesta batalha. Esta é uma iniciativa para preservar vidas e deve ter o apoio de todos – moradores, vereadores e prefeita. A população vai agradecer por esta grande conquista.
Trata-se de mais um sinal de que a Câmara Municipal está agindo em sintonia com a população de São Miguel do Gostoso. Proibindo o trânsito na praia, os vereadores vão ter sempre o reconhecimento dos moradores por este grande beneficio para a cidade.
Veja, abaixo, as justificativs apresentadas por Jubenick para este importante projeto:
 É do conhecimento de todos que a praia é a maior e mais democrática opção de lazer da população de São Miguel do Gostoso/RN. Atualmente, esse bem, pertencente a todo o povo de Gostoso/RN, tem sido ameaçado pelo trânsito cada vez mais intenso nas praias urbanas do município, visto diariamente e principalmente nos finais de semana e feriados. Este trânsito que coloca em risco a integridade da vida das famílias que vão às praias para ter acesso a algum modo de lazer é praticado principalmente por proprietários de carros traçados e por motociclistas que agem para exibir o seu bel prazer em detrimento do direito ao acesso do bem público por todos os cidadãos.
Trata-se claramente de formas progressivas de particularização de um bem público que precisa da intervenção da autoridade pública do Estado. A presente lei se propõe a corrigir tal problema, regulamentando o trânsito nas praias urbanas do município, garantindo a sua condição de bem público à disposição de toda a população local e também de turistas, de forma saudável e tranqüila”.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Motoqueiros, incluindo menores, dirigem em alta velocidade, pondo em risco a vida da população



Por Emanuel Neri
A exemplo de todas as cidades que crescem, São Miguel do Gostoso também tem seus problemas decorrentes deste crescimento. Geralmente há aumento da criminalidade, abusos com ruídos e barulho, falhas no processo educacional e de saúde e problemas no trânsito.
Todos estes problemas devem ser enfrentados pelo poder público, o que significa governos federal, estadual e municipal.Mas muitos deles, cuja origem está ligada a costumes e hábitos culturais, precisam ser trabalhados com mais cuidado.
Este é o caso, por exemplo, do barulho abusivo provocado por veículos com caixas de som e em casas de shows, bem como a questão do hábito de se dirigir na cidade em altíssima velocidade, sem respeitar regras de trânsito – seja por carros ou motos.
Neste post, vou abordar mais diretamente o enorme desrespeito que existe nas ruas de São Miguel do Gostoso com adultos e jovens – muitos deles menores – dirigindo motos. Grande parte deles não têm sequer carteira de habilitação para poder dirigir.
Este é um problema muito sério da cidade. Estas pessoas aproveitam as ruas da cidade como pistas de motocross – aquele esporte praticado por motos em pistas com obstáculos. No caso de São Miguel do Gostoso, os obstáculos são as lombadas de ruas.
Grande parte destes motoristas de motos ultrapassam estas lombadas, que estão espalhadas em todas as ruas da cidade, em altíssima velocidade. A moto voa alguns metros e pousa em seguida no leito da rua. O perigo de acidentes é altíssimo.
Outros motoqueiros empinam suas motos (foto acima), também em alta velocidade, sem se preocupar com adultos e crianças que estão passando pelas ruas. O pior é que a quase totalidade deles não usa sequer capacete para se protegerem, em caso de quedas.
Tanto o motoqueiro como pessoas que estão passando pelas ruas – ou sentadas diante de suas casas – podem se acidentar gravemente. Já houve sérios acidentes na cidade, felizmente sem casos fatais. Se não houver providências, isso podrá ocorrer.
O pior é que muitos destes jovens são menores, alguns deles quase crianças. De forma irresponsável, os pais permitem que os filhos dirijam em alta velocidade nas ruas, pondo em risco a vida das pessoas. As leis de trânsito punem severamente isso.
Se um menor estiver dirigindo uma moto – ou um carro – e provocar um acidente, a responsabilidade é do pai, que permitiu que ele dirigisse. Se houver mortes, o pai é processado por homicídio culposo – em que a pessoa culpada não teve intenção de matar.
Há também inúmeras penas para os pais cujos filhos provocam acidentes de trânsito, mesmo quando o acidente não provoca mortes. As punições também são severas para adultos que dirigem sem carteira de habilitação, mesmo que não haja acidentes.
Outra irregularidade nas ruas da cidade são as motos que trafegam com alteração nos canos de escape. Os motoqueiros retiram o cano de escape de forma que a moto faça mais barulhos. A população também sofre com este barulho ensurdecedor.
Também é comum ver motos fazendo “cavalos de pau” em plena rua ou em estradas  que ligam a cidade aos distritos. Tais manobras também são perigosíssimas para os motoqueiros e para as pessoas que estão nas ruas ou nas portas de suas casas.
A pergunta que se faz é o motivo de a Prefeitura de São Miguel do Gostoso ainda não ter feito uma campanha para abolir este trânsito maluco das ruas da cidade. Da mesma forma, pergunta-se à polícia por que ela não proíbe este tráfego nas ruas.
Também cabe uma pergunta à Câmara Municipal pelo fato de não ter ainda se manifestado sobre a questão. Embora haja leis federais para o trânsito, também cabe ao legislativo municipal criar regras para afastar este risco das ruas da cidade.
Se São Miguel do Gostoso é uma cidade que quer crescer de forma saudável e equilibrada, tem que combater este risco imediatamente. A exemplo do trânsito nas praias, também tem que se disciplinar este perigoso trânsito nas ruas da cidade.
É uma questão que mexe com hábitos e costumes da população – e talvez muitos não concordem. Mas muita gente, principalmente os pais, não têm sequer conhecimento do altíssimo risco que estão correndo ao deixarem seus filhos trafegarem de motos.
É preciso aplicar as leis de trânsito em São Miguel do Gostoso. A cidade não pode  continuar na bagunça de trânsito que está, com o “passa-passa” de motos, em altíssima velocidade, voando sobre lombadas, e pondo em risco a vida das pessoas.
Espera-se que a polícia, com o apoio da Prefeitura e da Câmara Municipal, tome providencias urgentes par acabar com estes abusos. A segurança física da população é dever do poder público. Do jeito que está, as motos representam alto risco para a vida.
Abaixo, link para que o leitor tenha melhor conhecimento sobre o Cógido nacional de Trãnsito: