quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Com debates na TV, começa reta final da campanha eleitoral. Veja quem foi melhor entre Dilma e Aécio



Por Emanuel Neri
Na campanha eleitoral, agora é como se diz na expressão popular: chegou a hora de a onça beber água.
A disputa pela Presidência da República, cuja eleição em segundo turno será realizada no dia 26 de outubro, chega à reta final com campanhas em temperatura máxima, troca de acusação entre os dois candidatos e início dos debates eleitorais na TV. Aí será um salve-se quem puder.
Foi neste clima de guerra que Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) participaram nesta terça-feira (14/6) do debate da TV Bandeirantes. Foram quatro blocos de perguntas, tipo olho no olho, dos dois candidatos. Ataque e acusações dos dois lados. Tensão para todos os lados.
A audiência da Band atingiu 13 pontos no Ibope, o maior para aquele horário. Durante o debate, a Band liderou grande parte da audiência de TV, inclusive vencendo a TV Globo.
Ainda faltam três debates na TV até o encerramento da campanha. Nesta quinta-feira (16/10) será o debate do SBT em parceria com o UOL. Na próxima segunda-feira será o debate da Rede Record. Na sexta-feira que antecede a eleição, será o debate da Rede Globo.
Como há um equilíbrio muito grande entre os dois candidatos – a maioria das pesquisas divulgadas até aqui apontam empate técnico entre os dois – são estes debates na TV que podem desequilibrar o jogo de um lado ou do outro.
No debate da TV Bandeirantes, aparentemente a vitória foi de Dilma. Jornalistas insuspeitos que acompanham a política no Brasil, como Ricardo Noblat, do jornal O Globo, e Kennedy Alencar, ex-Folha e atualmente no SBT e rádio CBN, acham que Dilma venceu Aécio.
O debate teve momentos quentíssimos. Aécio voltou a falar de suspeitas de corrupção na Petrobrás, enquanto Dilma enumerou vários escândalos ocorridos em governos do PSDB e, até agora, sem que nenhum deles tivesse apuração concluída no Judiciário, continuando a impunidade de seus responsáveis.
Dilma também acusou Aécio de ter empregado familiares em seu governo em Minas, como sua irmã, Andrea Neves, que cuidava da comunicação do governador. A petista também lembrou a construção com dinheiro público de aeroporto na cidade de Cláudio, em Minas, em propriedade da família de Aécio.
Durante o debate, Aécio usou uma expressão, “mar de lama”, para citar irregularidades nos governos do PT e de Dilma. Esta expressão foi abusivamente utilizada em dois momentos em que o Brasil gostaria de esquecer. Um deles em 1954, que culminou com o suicídio do então presidente Getúlio Vargas.
O outro momento em que a expressão “mar de lama” veio à tona foi em 1964, quando militares derrubaram um governo legitimamente eleito, o de João Goulart. A partir dali, o Brasil mergulhou numa feroz ditadura militar que prendia e assassinava opositores do regime. Dilma foi presa e torturada pelos militares.
O jornalista Mário Magalhães, do UOL/Folha, não gostou de ver a expressão “mar de lama” na boca de Aécio, por associá-la ao golpismo.
“Mar de lama evoca leviandade, mentira, desprezo pela legalidade e aversão à democracia”, afirma Magalhães.
Embora Dilma chegue à reta final da campanha tendo que explicar corrupção na Petrobrás, que ela diz que as investigações só foram possíveis graças a iniciativas adotadas em seu governo, Aécio também está diante de um rio caudaloso de denúncias, difícil de atravessar sem correr o risco de morrer afogado.
A Folha divulgou nestes últimos dias que o governo de Minas se recusa a divulgar gastos publicitários em rádios e jornal de Aécio, durante seu governo e do seu sucessor, também do PSDB. Outra acusação é o fato de, mesmo morando no Rio, Aécio ter ocupado um cargo no gabinete do seu pai, deputado federal, em Brasília.
Na época, Aécio tinha apenas 17 anos. As fotos da época mostram Aécio sempre na praia, agarrado a uma prancha de surf. O perfil do candidato em seu material de campanha escondeu esta informação, só agora revelada.
Abaixo, análises sobre o debate da Band, bem como farto material noticioso sobre os momentos quentes da campanha eleitoral.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Pesquisas do segundo turno mostram empate entre Aécio e Dilma, com tucano numericamente à frente



Por Emanuel Neri
Esta é a eleição das surpresas e das reviravoltas. As primeiras pesquisas para o segundo turno da disputa presidencial, cujo pleito será realizado no dia 26 de outubro, mostra empate técnico entre Aécio Neves e Dilma Rousseff. Mas numericamente o candidato tucano está na frente: 46% a 44%.
Se forem calculados apenas os votos válidos, excluindo os nulos e brancos, permanece o empate técnico: 51% para Aécio e 49% para Dilma.
É uma surpresa porque no primeiro turno da eleição, realizado dia 5 de outubro,  Dilma (PT) saiu na frente – 41,6% a 33,5% dos votos válidos. Mas também era previsível uma subida de Aécio (PSDB), dado ao “embalo” com que ele chegou ao primeiro turno, derrotando Marina Silva e se aproximando de Dilma.
O resultado das pesquisas jogou um balde de água fria no mercado financeiro, que esperava uma subida de Aécio (foto) bem maior. Na segunda-feira (6/10) após a eleição, a Bolsa de Valores de São Paulo teve o maior crescimento dos últimos dois anos. Esperava que Aécio saísse com grande vantagem sobre Dilma.
Aécio foi sem duvidas a novidade do primeiro turno. Embora sua ultrapassagem sobre Marina fosse prevista nas pesquisas, o resultado final da sua votação foi além do previsto. Acreditava-se que ele ficaria com poucos pontos à frente de Marina, que teve 21,5% dos votos. Ficou com mais de dez pontos na frente.
Também já estava previsto que boa parte do eleitorado de Marina no primeiro turno migrasse para Aécio. Mas, pelo resultado das pesquisas – Datafolha e Ibope, ambas com o mesmo resultado – Aécio pegou ainda mais votos da ambientalista o que se esperava. Agora é ver como se comportam os dois candidatos até o dia 26.
Só para relembrar as inúmeras reviravoltas ao longo desta campanha eleitotal.
Desde o início da campanha, Dilma Rousseff esteve na frente das pesquisas, com percentual sempre acima de 30% de intenção de votos. O segundo colocado, com pouco mais de 20%, era Aécio Neves. O terceiro colocado era o ex-governador pernambucano Eduardo Campos, com 8% de intenção de votos.
As reviravoltas começaram a aparecer com a morte de Eduardo Campos, em acidente aéreo, em agosto. A comoção por sua morte fez com que Marina, até então sua vice, disparasse nas pesquisas. Ela foi a mais de 30% nas pesquisas e encostou em Dilma. Nas projeções de segundo turno, aparecia na frente.
Com o horário eleitoral, Marina (PSB) começou a cair e se distanciou de Dilma. A queda se deveu às contradições de seu discurso e de seu programa de governo. Ela defendia uma coisa – como a criminalização da homofobia – e no dia seguinte mudava de opinião, pressionada por pastores evangélicos que a apoiavam.
Foram muitas as mudanças de opinião da Marina no decorrer da campanha.
Dilma Rousseff se aproveitou desta fragilidade de Marina e a criticou duramente em seu programa eleitoral no rádio e TV. Brigando pela segunda vaga no segundo turno,  Aécio também bateu duro na ambientalista. Marina sofreu então um processo de desidratação eleitoral e perdeu mais de dez pontos nas pesquisas.
A surpresa seguinte foi o percentual elevado de votos de Aécio no primeiro turno, deixando Marina muitos pontos atrás, e com uma distância de Dilma menor do que era previsto. A outra surpresa aparece agora, com o empate técnico entre Aécio e Dilma, mas numericamente com o candidato tucano à frente.
Ainda tem muito chão pela frente até 26 de outubro, dia do segundo turno. A campanha até lá promete ser quente. O PSDB vai bater duro em denúncias de irregularidades na Petrobrás, maior estatal do país. E o PT vai mostrar avanços sociais e econômicos dos governos petistas comparados aos do PSDB.
Uma coisa é certa. Esta será a eleição presidencial mais disputada e equilibrada desde a redemocratização do país, em meados dos anos 80, quando a escolha de presidente voltou a ser uma decisão soberana da população do país.
Abaixo, links das duas últimas pesquisas eleitorais, análises sobre o resultado apresentado e a frustação do mercado, que apoia Aécio, e esperava maior vantagem do tucano, e posts deste blog sobre reviravoltas ao longo desta campanha eleitoral.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Opção do nordestino e do eleitor pobre por Dilma e PT incentiva nova onda de preconceitos contra Nordeste



Por Emanuel Neri
Tão logo foram abertas as urnas do primeiro turno da eleição presidencial, no domingo passado (5/10), foi  também aberta a caixa de maldades, com variados tipos de manifestações preconceituosas, contra o eleitor do Nordeste que votou maciçamente em Dilma Rousseff (PT). Cerca de 60% dos votos da região foram para a petista.
Isso foi suficiente para que surgissem, de pessoas de várias partes do país, ataques preconceituosos contra Dilma e o PT. Segundo a enxurrada de ataques, é como se a região votasse em Dilma devido ao seu atraso econômico e, em particular, à dependência que parte da população do Nordeste tem do Bolsa Família, programa social do governo federal que beneficia a população pobre de todo o país.
Além do Nordeste, estes preconceitos também têm motivações sócio-econômica – ou seja, com foco direcionado à população pobre que vota no PT. Vejam o que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), maior cabo eleitoral do presidenciável Aécio Neves, falou ao portal UOL, um dia após a eleição:
“O PT está ficando nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados”.
Com opinião semelhante à de Fernando Henrique, há ataques contra pobres e o Nordeste vindo de várias partes do Brasil (veja o mapa do voto; Estados nas cores vermelho e rosa deram maioria a Dilma, azul em Aécio e amarelo em Marina).
Apoiador do candidato Aécio Neves, o colunista e jornalista mineiro Paulinho Navarro, do jornal O Tempo, de Belo Horizonte, propôs o separatismo do Nordeste e do Norte do país de outras regiões do Brasil.
“A gente podia pensar em dividir o Brasil em dois. O do Norte/Nordeste e o do Sul/Sudeste. Desta forma, a Dilminha ficaria com seus preguiçosos eleitores bolsistas (Bolsa Família), fazendo uma sesta em redes nordestinas, e nós, com Aécio e demais trabalhadores esclarecidos, de mangas arregaçadas, continuando a botar lenha na produção deste país”.
Não é a primeira vez que opiniões preconceituosas como esta são manifestadas depois de resultados eleitorais que beneficiam o PT. Na eleição de 2010, após a eleição de Dilma Rousseff, uma estudante de direito de São Paulo propôs, nas redes sociais, matar um nordestino por dia, para que não votasse mais no PT.
A Justiça condenou a estudante, Mayara Petruso, por crime de discriminação e preconceito.
Mas parece que esta condenação não surtiu efeito. Desde domingo passado, quando o Nordeste votou em peso em Dilma, as redes sociais se encheram novamente de preconceitos pelo fato de a maioria dos nordestinos terem votado na candidata do PT. Parece até que o Brasil está voltando aos anos 50.
Naquela época, um partido político, a UDN, propôs o chamado "voto qualitativo" - é como se o voto de um empresário (leia-se, de um eleitor rico) tivesse um peso bem maior do que o voto de um operário (leia-se, de um eleitor pobre). 
O que motivava o preconceito contra o voto do pobre nos anos 50 era a liderança de Getúlio Vargas, que se suicidou em 1954, quando era presidente da República, ao não resistir aos duros ataques da mídia e de setores políticos. Hoje esta banda preconceituosa se manifesta contra a liderança de Lula e do PT.
O curioso é que, nos anos anteriores aos governos Lula e Dilma, em especial na ditadura militar, o Nordeste votava em peso na Arena, PFL e depois no DEM, que sucedeu estes partidos. Naquela época, o nordestino não era chamado de “desinformado e pobre”, como chama hoje Fernando Henrique Cardoso.
É fato que quando o Nordeste votava na Arena, PFL e DEM – e depois no PMDB e PSDB - ninguém contestava o voto do nordestino e do pobre. Foi só o Nordeste mudar de opinião – por conscientização política ou motivação social e econômica – para que o cacete ideológico e preconceituoso seja usado contra nordestinos.
Um detalhe. A Folha de S. Paulo divulgou nesta terça-feira (7/10) estudo do Banco Central sobre o crescimento do Nordeste. No segundo trimestre deste ano, a região cresceu 2,55% em relação ao primeiro trimestre – que já havia crescido 2,12%. Nenhuma outra região do país tem crescido tanto nos últimos tempos.
Ao contrário de outras regiões do Brasil, o Nordeste vive fase de desenvolvimento. Então não dá para atribuir a opção eleitoral do nordestino pelo PT e por Dilma exclusivamente ao voto do “desinformado e pobre” e aos dependentes do Bolsa Família. A opção pelo PT pode vir da sensação de bem-estar sentida hoje pela população e eleitores do Nordeste.
Além de preconceituoso, os ataques contra os nordestinos e os pobres por votarem em Dilma e no PT são estúpidos por não levarem em consideração a realidade econômica e social do Nordeste.
Abaixo, links com informações sobre estes ataques preconceituosos contra os pobres e o Nordeste, além de análises sobre estas opiniões.