Por Emanuel
Neri
Na campanha eleitoral, agora é como
se diz na expressão popular: chegou a hora de a onça beber água.
A disputa pela Presidência da República, cuja eleição em segundo turno será realizada no dia
26 de outubro, chega à reta final com campanhas em temperatura máxima, troca
de acusação entre os dois candidatos e início dos debates eleitorais na TV. Aí será um salve-se quem puder.
Foi neste clima
de guerra que Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) participaram
nesta terça-feira (14/6) do debate da TV Bandeirantes. Foram quatro blocos de
perguntas, tipo olho no olho, dos dois candidatos. Ataque e acusações dos
dois lados. Tensão para todos os lados.
A audiência
da Band atingiu 13 pontos no Ibope, o maior para aquele
horário. Durante o debate, a Band liderou grande parte da audiência de TV,
inclusive vencendo a TV Globo.
Ainda faltam
três debates na TV até o encerramento da campanha. Nesta quinta-feira
(16/10) será o debate do SBT em parceria com o UOL. Na próxima segunda-feira
será o debate da Rede Record. Na sexta-feira que antecede a eleição, será o
debate da Rede Globo.
Como há um
equilíbrio muito grande entre os dois candidatos – a maioria
das pesquisas divulgadas até aqui apontam empate técnico entre os dois – são estes
debates na TV que podem desequilibrar o jogo de um lado ou do outro.
No debate da TV Bandeirantes,
aparentemente a vitória foi de Dilma. Jornalistas insuspeitos que acompanham a
política no Brasil, como Ricardo Noblat, do jornal O Globo, e Kennedy Alencar,
ex-Folha e atualmente no SBT e rádio CBN, acham que Dilma venceu Aécio.
O debate
teve momentos quentíssimos. Aécio voltou a falar de suspeitas de corrupção
na Petrobrás, enquanto Dilma enumerou vários escândalos ocorridos em governos do
PSDB e, até agora, sem que nenhum deles tivesse apuração concluída no
Judiciário, continuando a impunidade de seus responsáveis.
Dilma também acusou
Aécio de ter empregado familiares em seu governo em Minas, como sua irmã, Andrea
Neves, que cuidava da comunicação do governador. A petista também lembrou a
construção com dinheiro público de aeroporto na cidade de Cláudio, em Minas, em
propriedade da família de Aécio.
Durante o
debate, Aécio usou uma expressão, “mar de lama”, para
citar irregularidades nos governos do PT e de Dilma. Esta expressão foi abusivamente
utilizada em dois momentos em que o Brasil gostaria de esquecer. Um deles em
1954, que culminou com o suicídio do então presidente Getúlio Vargas.
O outro
momento em que a expressão “mar de lama” veio à tona foi
em 1964, quando militares derrubaram um governo legitimamente eleito, o de João
Goulart. A partir dali, o Brasil mergulhou numa feroz ditadura militar que
prendia e assassinava opositores do regime. Dilma foi presa e torturada pelos
militares.
O jornalista
Mário Magalhães, do UOL/Folha, não gostou de ver a expressão “mar
de lama” na boca de Aécio, por associá-la ao golpismo.
“Mar de lama evoca leviandade,
mentira, desprezo pela legalidade e aversão à democracia”, afirma Magalhães.
Embora Dilma chegue à
reta final da campanha tendo que explicar corrupção na Petrobrás, que ela diz
que as investigações só foram possíveis graças a iniciativas adotadas em seu
governo, Aécio também está diante de um rio caudaloso de denúncias, difícil de
atravessar sem correr o risco de morrer afogado.
A Folha
divulgou nestes últimos dias que o governo de Minas se
recusa a divulgar gastos publicitários em rádios e jornal de Aécio, durante seu
governo e do seu sucessor, também do PSDB. Outra acusação é o fato de, mesmo
morando no Rio, Aécio ter ocupado um cargo no gabinete do seu pai, deputado
federal, em Brasília.
Na época, Aécio
tinha apenas 17 anos. As fotos da época mostram Aécio sempre na praia, agarrado
a uma prancha de surf. O perfil do candidato em seu material de campanha
escondeu esta informação, só agora revelada.
Abaixo, análises
sobre o debate da Band, bem como farto material noticioso sobre os momentos
quentes da campanha eleitoral.


