domingo, 9 de dezembro de 2012

Pipa tem charme, estrutura e bom modelo turístico. Excluindo seus problemas, é exemplo a ser seguido



Por Emanuel Neri
Tudo bem, você pode até dizer que Pipa é muvucada, barulhenta, que já deu o que tinha que dar. Mas Pipa tem também seu lado charmoso e de bom gosto. E o turismo ali alcançou escala de profissionalismo que poucas cidades do seu porte conseguiram.
A pouco mais de 70 km de Natal, Pipa está cada vez mais antenada com o turismo. São centenas de hotéis e pousadas, muitos de extremo bom gosto, restaurantes de boa qualidade por todos os lados e serviços de primeira para quem visita esta praia. São muitos os sinais de que a cidade se preparou para o turismo.
Você chega a Pipa por uma rua principal e vai descendo em direção ao mar. De um lado e do outro desta rua, há uma quantidade impressionante de pousadas, lojas e restaurantes. Tudo está muito bem cuidado e organizado para agradar e satisfazer o turista.
Nota-se, já no primeiro olhar, que Pipa se organizou para o turismo sem perder a simplicidade de uma cidadezinha de beira de praia. Há placas de sinalização em todas as direções. Quase tudo o que você quer encontra nas ruas de Pipa.
Da rua principal de Pipa, saem ruas mais estreitas, quase becos, subindo em direção às dunas. O cuidado com estas ruelas -onde se misturam casas de moradores com bares, restaurantes e lojas - é impressionante.  Nada parece estar fora do lugar.
Quase toda a cidade é calçada com paralelepípedo. Não há asfalto – o que é um sinal de bom gosto com a beleza das ruas. Algumas destas ruas têm o calçamento colorido (foto acima).
Pertencente ao município de Tibau do Sul, Pipa recebe um tratamento especial da Prefeitura para o seu turismo. Na rua/estrada que leva à praia, há uma sinalização adequada. Também há orientação sobre normas de preservação da natureza.
É claro que Pipa também tem seus problemas. A cidade cresceu muito e há uma certa expansão urbana desordenada, principalmente mais na periferia. Preocupam as drogas, a prostituição e a violência. Mas há sinais de que isso está sendo combatido.
Se, à noite, há charme sobrando em Pipa, durante o dia a coisa complica um pouco. Há mais movimento, provocado por trânsito e ônibus que levam turistas à cidade. As praias ficam muito cheias, principalmente a que existe no final da rua principal.
Pipa também tem problemas com som alto. Nos bares e boates que ficam na rua mais próximas da praia já se percebe o abuso com som. Aqui e acolá passa um carro com caixas de som mais alto. Mas é um problema que a cidade tenta combater.
A Prefeitura de Pipa criou uma Lei do Silêncio. Som mais alto de bares só pode funcionar até determinada hora. Percebe-se também que há muito cuidado com a segurança. Tanto Pipa como Tibau do Sul, a sedo município, são bem policiadas.
Pipa já foi uma praia semelhante a São Miguel do Gostoso, alguns anos atrás. Era pequena, charmosa e com atrativos turísticos por todos os lados. A diferença é que Pipa, até por estar no mercado turístico há mais tempo, se profissionalizou melhor.
É oportuno que São Miguel do Gostoso siga o exemplo de Pipa no que diz respeito à infra-estrutura turística e o respeito à natureza. Mas é importante que tenha o cuidado de excluir falhas, como crescimento desordenado, drogas e prostituição.
São Miguel do Gostoso tem um perfil diferente do de Pipa. Na primeira, o perfil turístico é mais esportivo, com a prática de kit e windsurfe, além de longas praias convidativas para longas caminhadas. Pipa está mais voltada para o turismo de lazer.
Mas, em turismo, tudo isso vai desembocar no mesmo lugar. O turista quer ser bem tratado, ter segurança e bons serviços para atendê-lo. Pipa já faz isso. São Miguel do Gostoso, com todo o seu potencial turístico, está a caminho. Mas é preciso avançar.
Chegou a hora de o turismo de São Miguel do Gostoso e a Prefeitura local seguirem o modelo do turismo de Pipa e da Prefeitura de Tibau do Sul, implantando mais profissionalismo na atividade turística. Se isso ocorrer, haverá um salto de qualidade.
São Miguel do Gostoso tem condições de se transformar em um polo turístico tão importante e atrativo como ocorre hoje em Pipa.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A Amjus trabalha com a conscientização de jovens e a preservação da natureza em São Miguel do Gostoso



Por Emanuel Neri
São Miguel do Gostoso é daquelas cidades que sempre surpreendem. No início da noite da terça-feira (4/12), muitas pessoas se surpreenderam com a capacidade que esta comunidade tem para se organizar e enfrentar alguns dos seus problemas.
Isso ocorreu durante o evento para arrecadar fundos para a Amjus, uma ONG que trabalha com adolescentes da cidade. Mais de cem pessoas se emocionaram, na Pousada Só Alegria, ao ouvir estes jovens falando dos seus projetos, de seus sonhos e sobre o que pretendem ser no futuro.
A Amjus é uma entidade que reúne, sob seu enorme guarda-chuva, atividades de meio ambiente, cultura e justiça social. A ONG desperta estes valores nos jovens locais – impressiona muito ver o nível de envolvimento destes adolescentes com este projeto.
Dirigido por Heldene Santos, a Amjus tem sob seu guarda-chuva pelo menos cinco entidades com atividades distintas e trabalhos com jovens de São Miguel do Gostoso. O NUCA, por exemplo, trabalha com a participação e inserção do adolescente na sociedade.
Outra entidade, o Núcleo de Agente Jovem Empreendedor, desperta o interesse do jovem pelo empreendedorismo – com foco especial no turismo, principal atividade econômica de São Miguel do Gostoso. Outro braço da Amjus é voltado para a música.
Trata-se da Somelodia,  que trabalha com 20 jovens que usam a música de forma bastante interessante. Tocam flauta e fazem concertos com músicas clássicas e popular. Chega a emocionar a habilidade desses jovens, alguns ainda crianças, com a música.
Mas um dos braços mais interessantes da Amjus está direcionado para a preservação de tartarugas no litoral do município.  O grupo, com 15 pessoas, é coordenado por Paulo Inácio Ferreira Filho, que se emociona ao falar do projeto que dirige.
O projeto dirigido por Paulo, que se chama Vida na Areia, trabalha como monitoramento, proteção e defesa das tartarugas - na foto, tartaruguinhas a caminho do mar.
Em 2011, 35 mil ovos de tartaruga foram protegidos em ninhos e os filhotes lançados ao mar nas praias de São Miguel do Gostoso – só na sede do município foram 18 mil. Cada tartaruga tem três ciclos de desova por ano – cada um deles com cerca de 200 ovos.
Mas são poucas as tartarugas que chegam à fase adulta. De cada mil ovos de tartarugas, apenas uma tartaruga sobrevive. As demais são destruídas por predadores como a raposa e o carcará. Outros filhores, já no mar, são devoradas por tubarões e outros peixes.
O homem também é um grande predador de tartarugas. Algumas pessoas retiram ovos para vender ou os utilizam como produtos afrodisíacos. Os carros que andam pelas praias também destroem muitos destes ninhos. Mesmo assim, o grupo não desiste.
Apesar de todos estes problemas, Paulo e seu grupo têm um cuidado todo especial com os ninhos das tartarugas na orla de São Miguel do Gostoso. O ninho é cercado com estacas e fita amarela para que os cargos não passem por cima, destruindo ovos.
Paulo cuida da vida, assim como a Amjus, com seus diversos projetos voltados para a formação e conscientização dos jovens de São Miguel do Gostoso. Pousadas locais já se associaram a este projeto. É importante que toda a população ajude a Amjus.
A Amjus faz um belo e exemplar trabalho. Com o apoio de todos esta entidade poderá fazer muito mais pelos jovens, pela vida e pela natureza de São Miguel do Gostoso.
Para conhecer melhor o trabalho da Amjus, veja abaixo os links que tratam de ações desta interessante ONG.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Onda de insegurança pública volta a preocupar moradores e turismo de São Miguel do Gostoso



Por Emanuel Neri
Depois de um período mais tranquilo, a segurança pública voltou a preocupar a população e o segmento de turismo de São Miguel do Gostoso. Nas últimas semanas, uma série de roubos a casas e pousadas tem assustado muito a cidade.
Está acontecendo na cidade aquilo que ocorre em todo o centro que se desenvolve. O aumento da criminalidade é como se fosse proporcional ao crescimento da cidade. No caso de São Miguel do Gostoso, a presença de turistas também atrai criminosos. Isso é comum em áreas de demandas turísticas, mas precisa ser combatido.
Nos últimos dias, estas ocorrências de violência têm aumentado. O caso mais grave ocorreu no dia 26 de novembro, quando o combate a um roubo ocorrido na cidade acabou na morte de um outro suspeito, em Lagoa do Sal, distrito de Touros.
O fato começou com o roubo a um morador de São Miguel do Gostoso. Este morador pegou uma terceira pessoa e saiu em busca do ladrão. Quando os dois grupos se encontraram, houve tiroteio e morreu o rapaz que acompanhava a vitima do roubo.
O assassino foi preso em sua casa, em São Miguel do Gostoso. Segundo a polícia, havia dinheiro e outros objetos que tinham sido roubados antes. O rapaz que morreu estava armado. A polícia investiga seu envolvimento em outras atividades criminosas.
Faz tempo que a comunidade de São Miguel do Gostoso vem se organizando para enfrentar esta onda de crimes. A AEGostoso, que reúne os empreendedores locais, criou uma comissão para discutir, com outros órgãos, alternativas para enfrentar a insegurança pública.
Houve reuniões com as autoridades estaduais de segurança pública e os empresários locais ajudaram a recuperar uma viatura policial que estava parada. Mas o problema crônico é a falta de policiamento e a incapacidade da policia local de investigar crimes.
Segundo o sargento responsável pelo policiamento, existem em média dois soldados para policiar a cidade, diariamente. Havia nove policiais no destacamento local, mas dois estão de licença médica. Com as folgas, sobram poucos para vigiar as ruas.
Além de amedrontar a população local, a onda de crimes na cidade é uma grande ameaça ao turismo local. Se isso não for combatido a tempo, o promissor turismo de São Miguel do Gostoso corre o risco de entrar em colapso e trazer a miséria para a cidade.
Imaginem agora São Miguel do Gostoso sem turismo. Se isso ocorresse, deixariam de ser gerados milhares de empregos e a economia enfrentaria grande crise. Por este motivo, é urgente a adoção de medidas para combater com eficiência a insegurança na cidade.
Na última semana, a comissão de segurança se reuniu com o responsável pelo policiamento. Decidiu-se procurar novamente as autoridades estaduais de Segurança para pedir ajuda. Também deve ser recuperado mais um veículo do policiamento, que etá quebrado.
A prefeita eleita, Fátima Dantas, diz que a segurança pública é uma de suas prioridades. Embora a segurança seja de responsabilidade do governo estadual, Fátima promete ampliar esforços para a cidade poder oferecer mais segurança pra moradores e turistas.
Uma das idéias de Fátima é criar uma espécie de patrulhamento motorizado. Vigilantes percorreriam os pontos mais movimentados da cidade, de moto, especialmente à noite, para inibir e conter a onda de criminalidade. Outras idéias podem ser adotadas.
Uma delas é a instalação de câmeras pela cidade, registrando atividades suspeitas e ocorrências. No futuro, as imagens destas câmeras poderiam ser interligadas com as câmeras que já existem em pousadas e residências. Mas este é um projeto mais caro.
Qualquer que seja a iniciativa da nova prefeita, o problema com a segurança da cidade só será resolvido quando todos – população, comerciantes, pousadeiros e donos de bares e restaurantes – se unirem para enfrentarem, juntos, este terrível problema.
Este blog já afirmou, em outros posts, que a questão da insegurança é um monstro que precisa ser combatido com eficiência, por toda a comunidade. Se isso não for feito, o monstro cresce e engole a todos – e aí o futuro estará definitivamente comprometido.
Chegou a hora de toda a cidade se organizar para enfrentar o monstro da insegurança pública. Entre nesta luta.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Prefeitura de São Miguel do Gostoso faz vista grossa para trânsito na praia; alto risco de atropelamentos



Por Emanuel Neri
E o mandato do prefeito Miguel Teixeira está chegando ao fim, falta menos de um mês, e ele não moveu uma palhinha sequer para enfrentar um dos maiores problemas da cidade: o trânsito de veículos na orla urbana de São Miguel do Gostoso.
Neste domingo (2/12), o trânsito correu solto na praia. Havia veículos particulares, motos e bugues de guarderias de kit e widsurf trafegando perigosamente pela beira da praia, sempre passando muito perto de pessoas que estavam na orla. Há ainda veículos de turismo (foto) para outras praias.
O perigo é enorme. A qualquer momento, um veículo deste –muitos trafegam em alta velocidade e com motoristas embriagados – podem trucidar crianças ou pessoas que estão na praia. Mas infelizmente a Prefeitura não tem sensibilidade para enxergar isso.
A Câmara Municipal da cidade já aprovou legislação proibindo o trânsito na orla urbana. Caberia à Prefeitura fechar os acessos às praias, fiscalizar os carros que insistirem em trafegar por ali e sinalizar bem a área, proibindo definitivamente o trânsito na praia.
Uma família local doou um terreno para que houvesse o desvio do tráfego. Os veículos seriam desviados na Ponta do Santo Cristo, percorreriam a cidade pelas vias centrais e voltariam à praia, depois do bairro do Maceió, já na estrada que leva ao Reduto.
Bastava também à Prefeitura providenciar uma pequena estrada por onde escoaria este tráfego. Mas nada disso foi feito. O descaso da Prefeitura é total com esta questão. É como se ela não se preocupasse com o risco que as pessoas correm de serem atropeladas.
O Idema, órgão estadual de defesa do meio ambiente, também pediu a proibição, bem como o Ibama e a Secretaria de Patrimônio da União. Faz tempo também que a população pede esta proibição, mas só a Prefeitura não entendeu ainda este recado.
As famílias de São Miguel do Gostoso, pelo menos as que têm consciência do risco que há com a permanência do tráfego na praia, já se manifestaram contra o trânsito na orla urbana. Os turistas também reclamam muito, por temerem ser atropelados nas praias.
Além do risco para a população e turistas, há outro dano gigantesco causado pelo trânsito na orla urbana. Trata-se dos inúmeros ninhos de tartarugas marinhas que estão nas dunas ao longo da orla da cidade. O trânsito destrói irresponsavelmente estes ninhos.
O prejuízo para a natureza é gigantesco. Por mais que os voluntários da cidade tratem destes ninhos, e das tartarugas quando nascem, o trânsito na praia ameaça dizimar esta espécie. Além das tartarugas, há outros prejuízos para a fauna e a flora local.
Nas praias de São Miguel do Gostoso era muito comum a presença de um pequeno caranguejo, chamado de “Grossá” pela população. Havia milhares destes pequenos caranguejos nas praias. Hoje praticamente você não vê mais nem sinal deles.
Quem é nativo, lembra muito bem dos “grossás”, correndo alegremente pelas praias.
Mas os “grossás” foram destruídos sob as rodas dos veículos que teimam em trafegar pela orla marítima. O mesmo aconteceu com outras espécies. A fauna nativa – principalmente a ramagem conhecida por “salsa” – também está sendo destruída pelas rodas dos carros.
É normal que este crime ambiental ocorra em São Miguel do Gostoso? E o outro crime, que é o risco de um atropelamento de pessoas a qualquer momento? Só que o atual prefeito deixou passar a oportunidade de fazer uma boa ação e cravar uma boa marca no seu governo.
Já que Miguel Teixeira vai deixar o governo sem mover uma palha contra o trânsito na praia, resta à prefeita eleita, Fátima Dantas, incluir a medida entre as prioridades de seu governo. A proibição do trânsito na praia é exigência da população.
Proibir imediatamente este trânsito é uma obrigação da prefeita eleita.