Por Emanuel
Neri
Tudo bem, você pode até
dizer que Pipa é muvucada,
barulhenta, que já deu o que tinha que dar. Mas Pipa tem também seu lado
charmoso e de bom gosto. E o turismo ali alcançou escala de profissionalismo
que poucas cidades do seu porte conseguiram.
A pouco mais de 70 km
de Natal, Pipa está cada vez mais antenada
com o turismo. São centenas de hotéis e pousadas, muitos de extremo bom gosto,
restaurantes de boa qualidade por todos os lados e serviços de primeira para
quem visita esta praia. São muitos os sinais de que a cidade se preparou para o turismo.
Você chega a Pipa
por uma rua principal e vai descendo em direção ao mar. De um lado e do outro
desta rua, há uma quantidade impressionante de pousadas, lojas e restaurantes.
Tudo está muito bem cuidado e organizado para agradar e satisfazer o turista.
Nota-se, já no primeiro
olhar, que Pipa se organizou para o turismo sem perder a simplicidade de uma
cidadezinha de beira de praia. Há placas de sinalização em todas as direções.
Quase tudo o que você quer encontra nas ruas de Pipa.
Da rua principal de
Pipa, saem ruas mais estreitas, quase becos, subindo em direção às dunas. O
cuidado com estas ruelas -onde se misturam casas de moradores com bares,
restaurantes e lojas - é impressionante.
Nada parece estar fora do lugar.
Quase toda a cidade
é calçada com paralelepípedo. Não há asfalto – o que é um sinal de bom gosto
com a beleza das ruas. Algumas destas ruas têm o calçamento colorido (foto acima).
Pertencente ao município
de Tibau do Sul, Pipa recebe um tratamento especial da Prefeitura para o seu
turismo. Na rua/estrada que leva à praia, há uma sinalização adequada. Também há orientação
sobre normas de preservação da natureza.
É claro que Pipa
também tem seus problemas. A cidade cresceu muito e há uma certa expansão
urbana desordenada, principalmente mais na periferia. Preocupam as drogas, a prostituição
e a violência. Mas há sinais de que isso está sendo combatido.
Se, à noite, há charme sobrando
em Pipa, durante o dia a coisa complica um pouco. Há mais movimento, provocado por
trânsito e ônibus que levam turistas à cidade. As praias ficam muito cheias,
principalmente a que existe no final da rua principal.
Pipa também tem problemas
com som alto. Nos bares e boates que ficam na rua mais próximas da praia já se
percebe o abuso com som. Aqui e acolá passa um carro com caixas de som mais
alto. Mas é um problema que a cidade tenta combater.
A Prefeitura de Pipa criou
uma Lei do Silêncio. Som mais alto de bares só pode funcionar até determinada
hora. Percebe-se também que há muito cuidado com a segurança. Tanto Pipa como
Tibau do Sul, a sedo município, são bem policiadas.
Pipa já foi uma
praia semelhante a São Miguel do Gostoso, alguns anos atrás. Era pequena, charmosa
e com atrativos turísticos por todos os lados. A diferença é que Pipa, até por
estar no mercado turístico há mais tempo, se profissionalizou melhor.
É oportuno que São
Miguel do Gostoso siga o exemplo de Pipa no que diz respeito à infra-estrutura
turística e o respeito à natureza. Mas é importante que tenha o cuidado de
excluir falhas, como crescimento desordenado, drogas e prostituição.
São Miguel do
Gostoso
tem um perfil diferente do de Pipa. Na primeira, o perfil turístico é mais esportivo,
com a prática de kit e windsurfe, além de longas praias convidativas para longas
caminhadas. Pipa está mais voltada para o turismo de lazer.
Mas, em turismo,
tudo isso vai desembocar no mesmo lugar. O turista quer ser bem tratado, ter
segurança e bons serviços para atendê-lo. Pipa já faz isso. São Miguel do
Gostoso, com todo o seu potencial turístico, está a caminho. Mas é preciso avançar.
Chegou a hora de o
turismo de São Miguel do Gostoso e a Prefeitura local seguirem o modelo do
turismo de Pipa e da Prefeitura de Tibau do Sul, implantando mais
profissionalismo na atividade turística. Se isso ocorrer, haverá um salto de
qualidade.
São Miguel do
Gostoso
tem condições de se transformar em um polo turístico tão importante e atrativo
como ocorre hoje em Pipa.



