sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Poeira de tráfego de caminhões pesados de eólicas leva a bloqueio de estrada em São Miguel do Gostoso



Por Emanuel Neri
O progresso é bom, mas também costuma trazer seus problemas.
O maior exemplo disso é o que está acontecendo no distrito de Umburana, que fica às margens da estrada que liga São Miguel do Gostoso a Parazinho. Moradores desta localidade bloquearam a estrada, entre os dias 15 e 17 de dezembro, por causa da quantidade de poeira de caminhões de eólicas que passam por ali.
Além da poeira, que afeta a vida dos moradores, eles também reclamam do barulho provocado pelo tráfego de veículos pesados à noite. Somente após intensa negociação entre os moradores e a Voltália, responsável pela implantação de parques eólicos no município, a estrada foi liberada ao tráfego.
Durante o período em que foi bloqueada, com pneus queimados e toras de madeiras, somente a passagem de motos era permitida. Os moradores reivindicam a pavimentação desta rodovia. Mas esta obra tem que ser feita pelo DER, do governo estadual. Não há previsões para que ela seja feita a curto prazo.
A rodovia ligando São Miguel do Gostoso a Parazinho, que substituiu uma antiga estrada que havia no local, foi feita graças a um acordo da Prefeitura de São Miguel do Gostoso com uma das empresas produtoras de turbinas e hélices dos aerogeradores (cataventos gigantes) para os parques eólicos da Voltália.
Apesar de ser de terra batida, a rodovia tem ótimas condições de tráfego. Durante o bloqueio dos moradores, dezenas de caminhões e outros tipos de veículos ficaram sem poder trafegar por ali. Os veículos menores tiveram que voltar até próximo ao distrito da Tabua e pegar a antiga estrada para Parazinho.
A rodovia, que ganhou um novo traçado e tem mais de 12 metros de largura, tornou mais fácil o acesso entre São Miguel do Gostoso e Parazinho. Com a rodovia, também se resolveu um problema de trânsito. Carretas enormes saem de Natal pela BR-406 (foto acima) até a cidade de João Câmara – a partir dali, pegam rodovia estadual para Parazinho.
Estes caminhões pesados, que transportam turbinas e hélices dos aerogeradores e trafegam com o auxílio de batedores (carros menores), saem de Parazinho e chegam aos parques eólicos de São Miguel do Gostoso. Este trajeto, via João Câmara e Parazinho, evita o tráfego pelas ruas centrais de São Miguel do Gostoso.
Mas o excesso de caminhão – e a poeira levantada com o tráfego destes veículos – começou a trazer problemas de saúde para os moradores de Umburana. Além deles, outros distritos, como Tabua e Freijó, também reclamam do excesso de poeira e do barulho provocado pelo trânsito de veículos no período noturno.  
A Voltália é uma empresa que tem muita habilidade em administrar este tipo de conflito. No ano início deste ano, a empresa fez uma ampla reunião com moradores de São Miguel do Gostoso que reclamavam da proximidade dos parques das áreas urbanas e de ruídos provocados pelos aerogeradores.
Desta vez, a Voltália saiu a campo para negociar com os moradores de distritos cortados pela rodovia. No caso da Umburana, um caminhão-pipa ficará ali dia e noite para jogar água na rodovia e amenizar o problema da poeira. Este caminhão já atuava na localidade, mas estava quebrado nos dias do conflito.
Os outros distritos também contarão com caminhões-pipa para molhar a estrada. Mas, ao contrário de Umburana, ali eles só trabalharão na medida em que passarem caminhões pesados pela via. A Voltália também providenciou uma motoniveladora para estar constantemente melhorando as condições da via.
É esta a situação da estrada que liga São Miguel do Gostoso a Parazinho. Já voltou ao normal e os moradores da região não estão mais impedindo o tráfego de veículos. Mas é importante que a Voltália use toda a sua habilidade para que não voltem a ocorrer bloqueios e conflitos que impeçam o tráfego até Parazinho.
Abaixo, veja link do blog “O Contador de Causos”, com post de Ailton Rodrigues, sobre o conflito que terminou com o bloqueio da estrada.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Grupo Alcóolicos Anônimos atua em São Miguel do Gostoso, recuperando pessoas dependentes do álcool



Por Emanuel Neri
São Miguel do Gostoso tem muitos problemas com a saúde da sua população. Mas um dos problemas mais sérios, que mais atingem a saúde pública do município, é o alcoolismo.
Embora não haja estatísticas oficiais, o alcoolismo atinge famílias inteiras do município. É altíssimo a quantidade de bebida consumida. A saúde local constatou que, em apenas uma família em que todos os seus membros bebem diariamente, consome-se mais de 100 litros de cachaça por mês.
Para enfrentar este sério problema, começou a funcionar na cidade um núcleo do AAA (Associação dos Alcóolicos Anônimos). Todos os sábados, às 9h, há sessões no Iasnin com dependentes de álcool que estão na batalha para se recuperar.
O AAA é uma entidade que está espalhada hoje por 112 países. No Brasil, ela existe em todos os Estados e milhares de municípios. As sessões em São Miguel do Gostoso são acompanhadas por membros do AAA de Natal. Todos os sábados, cinco membros do AAA natalense conversam com alcóolatras locais.
Quem está à frente deste trabalho em São Miguel do Gostoso é Simone Meireles, coordenadora do Posto de Saúde da cidade. Mas brevemente este trabalho deve passar para um dependente que está em processo de recuperação.
O AAA funciona dessa forma. A coordenação dos trabalhos tem que ser feita por um dependente. É que é mais fácil ele transmitir aos demais integrantes do grupo suas angústias, trocar experiências e falar das forças encontradas para recuperar este sério problema.
O trabalho do AAA em São Miguel do Gostoso começou há quatro meses. Pelo menos quatro participantes já estão sem consumir álcool durante este período. As histórias que saem deste grupo impressionam pelo sofrimento que o dependente de álcool enfrenta na sociedade.
Uma das condições do trabalho do AAA é que haja anonimato dos seus integrantes. Não se pode revelar o nome de dependentes que façam parte do trabalho. Mas há histórias que a cidade sabe sobre pessoas que sofreram extremas humilhações e que hoje estão em pleno processo de recuperação do álcool.
Uma pessoa integrante do grupo chegou a ser despida, na feira da cidade. Outra foi atirada em um tambor de lixo. Hoje estas pessoas pararam de beber e estão felizes. Reencontrara-se com suas famílias, passaram a cuidar melhor dos filhos e ter mais cuidados com sua alimentação e suas casas.
Uma outra pessoa que também faz parte do grupo sofreu humilhação mesmo depois de parar de beber. Antigos companheiros de bebedeiras jogaram cachaça sobre sua casa, tentando convencê-lo a voltar a beber. Mas ele resistiu. Este mesmo integrante recebeu um elogio que o deixou muito feliz.
“Você agora virou um homem. Antes você era um bebum”, afirmou um vizinho.
Parar de beber é uma tarefa dificílima. Mas a experiência vivida por estes moradores de São Miguel do Gostoso é de absoluto êxito. Eles têm consciência de que, mesmo tendo parado de beber, são ainda “alcóolatras em tratamento”.
“Para eu me recuperar, eu sinto necessidade de estar aqui”, disse outro integrante do grupo. “Quando eu acordo, eu digo, todos os dias, prá mim mesmo: hoje eu vou evitar o primeiro gole”, diz. “Evitar o primeiro gole faz com que os dias passem e eu não tenha mais voltado a beber”.
O alcoolismo é um terrível mal e atinge as famílias em várias frentes: na saúde, na desintegração social e na parte econômica. Geralmente o alcóolatra vive marginalmente na sociedade e não trabalha. Mas este mal tem cura.
Se você é dependente de álcool – ou tem alguém na família com este problema -, vá ao Iasnin, no centro de São Miguel do Gostoso, às 9h deste próximo sábado e se integre a este grupo de luta bravamente pela vida.
Abaixo, links sobre o AAA e o trabalho feito por este grupo para tirar pessoas do alcoolismo:

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Eleição para presidência da Câmara de São Miguel do Gostoso define cenários da eleição municipal de 2016



Por Emanuel Neri
O cenário para a eleição de prefeito ou prefeita de 2016 em São Miguel do Gostoso começou a ser desenhado na tarde desta segunda-feira (15/12), na Câmara Municipal.
Neste dia, foi escolhido o novo comando da Câmara. Em eleição bastante equilibrada, ganhou a chapa de oposição do vereador Beto de Agostinho. Foram cinco votos contra quatro da chapa de Francisca Pinheiro, atual presidente e apoiada pela prefeita Fátima Dantas (PMDB).
A chapa de Beto de Agostinho (PSB) foi apoiada por vereadores do PT, PSD e PC do B. Contou também com o apoio do ex-prefeito Miguel Teixeira (PPS).
A dúvida agora é saber o que vai sair deste acordo da Câmara para a eleição de prefeito. José Renato, candidato derrotado pelo PSD em 2012, quer sair candidato. Ocorre que o vereador José Jubenick (PT), que foi mui bem votado para deputado estadual na eleição deste ano, também quer se candidatar.
Jubenick tem o apoio da senadora eleita Fátima Bezerra (PT). Mas José Renato é do partido do governador Robinson Faria (PSD). Quem vai ter mais peso na hora de decidir quem será o candidato entre os dois? Hoje a senadora Fátima tem mais musculatura política e pode definir em favor de Jubenick.
Outra dúvida deste novo cenário na Câmara Municipal é o ex-prefeito Miguel Teixeira. Se ele ou alguém de sua confiança for candidato em 2016, ele terá que romper com a chapa que ajudou a eleger na Câmara.
A eleição para a Câmara Municipal teve lá suas curiosidades.
Uma delas é que o vereador Márcio Neri (PSD), que está rompido com José Renato, foi candidato a vice na chapa de Francisca Pinheiro. Com quem ele ficará em 2016? Dificilmente apoiará Renato. Mas talvez apoie Jubenick, caso o candidato da oposição seja o vereador do PT.
Outra curiosidade foi a tentativa de atrair Francisca Pinheiro (PMDB) para aderir ao bloco de oposição na Câmara. Este blog apurou que Jubenick e Hildemar Peixoto, também do PT e ex-secretário da Agricultura, foram à casa da vereadora tentar convencê-la a abandonar a prefeita e se juntar à oposição.
Não deu certo. Francisca Pinheiro não quis muita conversa com os petistas e preferiu permanecer aliada à atual prefeita. Manteve sua chapa à reeleição, atraiu Márcio Neri para seu bloco, perdeu a disputa, mas saiu elogiada por todos os vereadores, inclusive os que formaram a chapa para derrotá-la.
Outra duvida deste cenário é saber se a prefeita Fátima Dantas vai se candidatar à reeleição. Quando indagada sobre isso, a prefeita desconversa e diz que ainda há muito tempo para decidir se será ou não candidata em 2016. Se for candidata, não há dúvida de que será uma candidata competitiva.
Voltando à gestão de Francisca Pinheiro à frente da Câmara nos últimos dois anos. Nenê de Lala, como é mais conhecida, inovou a Câmara. Fez pelo menos 12 sessões itinerantes em distritos e bairros da cidade (na foto, com a prefeita, em um desses eventos), além de audiências públicas para discutir problemas do município.  Uma delas foi sobre segurança pública.
Nenê de Lala modernizou a Câmara, com a criação de um bom sistema de  comunicação com a população. Sob sua gestão, foram criados os Conselhos de Segurança Pública e o de Turismo. Com Nenê, a Câmara manteve sempre as portas abertas à comunidade para a realização de sessões solenes e reuniões.
“Em um sistema democrático, alguém ganha e alguém perde”, disse a vereadora, logo após perder a eleição na Câmara. “Saio de cabeça erguida e não entrego esta Câmara como recebi. Entrego muito melhor”, afirmou Nenê. A maioria dos vereadores reconheceu seu bom trabalho à frente da Câmara.

sábado, 13 de dezembro de 2014

"Louvor" da Igreja Católica, na praia da Xepa, passa dos limites com som alto e vai até de madrugada



Por Emanuel Neri
É difícil saber quem mais desrespeita o direito que a população de São Miguel do Gostoso tem ao repouso.
Se a igreja evangélica Assembleia de Deus, que faz cultos quase todos os finais de semana com som altíssimo, pilotado por uma espécie de trio elétrico conhecido por “Paredão de Jesus”, ou se a Igreja Católica, que faz um evento chamado “Louvor”, que acaba virando um “axezão” e vai até a madrugada.
O que aconteceu na noite desta sexta-feira (12/12) na praia da Xepa, em São Miguel do Gostoso, é uma afronta a qualquer tipo de lei do silêncio. O tal “Louvor”, mais cedo, até que foi suportável. Mas depois que terminou, o evento virou uma espécie de bailão, com som altíssimo, que só terminou por volta das duas horas do sábado.
E poucas vezes se ouviu um som tão alto e desrespeitoso ao ouvido humano e ao sossego da população em São Miguel do Gostoso.
O “axezão” da Igreja Católica deixou boa parte da população da cidade sem dormir – principalmente quem mora nas imediações da praia da Xepa e turistas hospedados em pousadas próximas ao local.
Aonde está a Prefeitura de São Miguel do Gostoso que não põe ordem nesta desordem sonora?
E para quem a população que não consegue dormir com o barulhão da Igreja Católica vai ter que reclamar? Na madrugada da sexta para o sábado, quem ligasse para a polícia da cidade, ia se deparar com um argumento quase surreal.
“É a festa de Shalon”, disse um policial que atendeu a um telefonema deste blog.
“É é organizada pela Igreja Católica e pela Prefeitura. O que eu posso fazer?”, indagava o policial.
Diante da insistência do blog, o policial saiu com outro argumento curioso: “Não dá prá fazer nada, senhor. Você sabe até que horas funcionou o Carnatal?”.
Assim fica mesmo difícil saber para quem se deve reclamar para conseguir controlar abusos como estes. Em termos de abusos com limite de som, São Miguel do Gostoso está cada dia mais parecida com uma cidade sem lei.
A Igreja Católica quer agora competir com a Igreja Evangélica para ver quem grita mais alto na conquista de novos fiéis?
E o pior é que os abusos com som alto estão cada vez mais sem controle em São Miguel do Gostoso.
Além da Igreja Católica, com seu “Louvor”, ou a Igreja Evangélica, com seu “Paredão de Jesus”, tem cada vez mais bares passando dos limites e arrebentando os ouvidos de vizinhos. E o pior é que até os carros de som que anunciam estas festas saem agora às ruas à noite, muitas vezes depois das 22h.
Não tem quem aguente mais tanto barulho – a não ser quem goste deste tipo de desordem sonora.
Pelo menos três bares estão rompendo os limites do silêncio e do respeito aos vizinhos. Um é o chamado “Bar do Português”, na praia do Maceió, que faz festa todas as sextas-feiras. Outro é o bar “Ayhuasca”, na praia da Xepa, que atormenta a população nas quintas-feiras.
Tem também o “Girassol”, na rua das Ostras, que agora está com um som até mais moderado, mas que não deixa de incomodar os vizinhos. Um outro bar que também fazia suas festas até tarde, o “Spaço Mix”, agora está mais tranquilo até porque enfrenta uma luta na Justiça com uma pousada vizinha.
Está na hora da Prefeitura, do Ministério Público e Polícia botarem ordem em São Miguel do Gostoso. Estes bares devem existir – e são importantes para parte da população que quer se divertir. Mas não dá mais para que eles continuem funcionando em ambiente aberto, sem nenhuma proteção acústica.
E as leis que disciplinam e punem o som abusivo no Brasil valem tanto para estes bares com suas festas barulhentas como para as Igrejas Católica e Evangélica.